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Arquivo da tag: wittgenstein

Sobre o processo estético

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Não importa realmente se criar o estético é o que nos diferencia das bestas.

Importa a criação, este quase contato com o indizível que este blog inspirado num austríaco vira e mexe aponta.

Ainda não consegui articular um livro (fora a parte acadêmica), apenas contos. Talvez não seja capaz disto.

Poesias, por outro lado, tenho muitas. Escrevi neste ano um monte. Talvez devesse publicá-las.

Estas poesias surgem muito estranhamente, em momentos absolutamente não poéticos, ou aparentemente sem poesia. É repentino, raivoso como um raio.

A criação musical com a banda, no entanto, articula-se em inúmeros ensaios, os quais fazem com que se perca um pouco daquela espontaneidade inicial da música, o momento em que vagamente se observa um novo som com os ouvidos.

Talvez a melhor forma seja a espontânea, a desarticulada, a que revela o belo no primeiro momento.

Quem concordaria com isso, num tempo de extrema profissionalização e técnica, num tempo em que ou se é digital (1/0, escuro ou não escuro, verdade ou não verdade), ou não se é?

Como disse o outro, entre a dor e o nada, fico com a dor.

Entre o momento e a busca incessante de reduzir o momento ao esperado, ao padrão, ao plano, a Descartes, fico com o momento.

Quem concordaria comigo? Só o Bob, o Dylan.

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Eu falo com Jesus todos os dias

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O confronto com o nascimento faz com que a religião torne-se um assunto cada vez mais importante para mim.

Não acho o argumento do “tanto faz” válido em relação a Deus e, aliás, nunca achei. Ou acredita ou não acredita. O argumento do “não sei” é o meu hoje, sendo o de ontem um sonoro “não”.

Contudo, isto está muito, mas muito longe de aceitar 99 porcento das determinações religiosas.

O espaço é grande demais e a vida, principalmente a geração da vida na barriga de uma mulher, é um bagulho louco demais pra negar de pronto que Deus ou alguma coisa que não consigo mensurar não existe.

Este é o indizível, aquilo que apenas se mostra para nós, e o que não podemos sequer articular com sentido.

sobre como realizar sonhos

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da certeza

Meus últimos dias foram bem agitados.

As noites foram quentes: augusta e josé bonifácio, são paulo e ribeirão em 2 dias. Sem dormir.

Em são paulo a guinness e em ribeirão o centro ocupado. Descobri ontem que papel é uma gíria para cocaína, e anteontem redescobri (é possível redescobrir algo?) como é aterrorizante pousar em Congonhas.

Mas, pra variar, o assunto não é esse. é sobre a realização de sonhos.

Quase nos trinta, meus amigos começam a rumar na vida (ok, nem todos). Da Faculdade que larguei, parece que todos vão muito bem. Os sonhos, em sua imensa maioria, mudam. E, se já estamos mais perto do que foi projetado, surgem mais sonhos, na escravidão da escolha a que fomos condenados.

Em Ribeirão, ver um amigo tocando as próprias músicas num lugar grande é realmente emocionante – quase chorei mais de uma vez. Este já realizou boa parte dos sonhos, pelo menos nesta área da vida – é de um talento imenso.

O engraçado é só que os caras da banda, todos camaradas, vieram depois do show,

e eu: “parabéns, parabéns”.

E eles: “pára (sic) com isso. O que a gente errou?”

“Sei lá. Achei ótimo”.

“Pode falar. Você viu que a gente errou toda hora, né. Cê tá tirando onda cum nóis, hein!”.

A coisa tava tão feia pro meu lado que fui obrigado a falar: “Ok, ouvi um errinho ou outro assim e assado”. Apaziguei mentindo – tava bêbado demais pra brigar. A noite foi sensacional.

Sobre sonhos, novamente: os meus, os seus, os nossos, não vão se realizar. Disso tenho certeza.

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Acima está uma música que fiz hoje. Não tá boa, não dá pra myspace, mas vejam vocês o que disse outro dia sobre meios-talentos. Toco a batera, o baixo e as duas guitarras. E, assim como um pato que nem voa nem anda nem nada bem, não faço nada direito – ficou horrível e com duas notas;;; Coloco aqui apenas para não fazer coleções de música e ilustrar o ilustrado e fichar o fichado e ver o óbvio.

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E tive um dia dos pais lindo.

sobre as últimas palavras

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É um assunto fascinante, talvez mais fascinante que linguagem do alunde.

Meu adversário, este homem extremamente enigmático com o qual converso quase todos os dias, e sobre quem não tenho com quem falar … bom, este homem chama-se Wittgenstein.

Mais que qualquer outro, me ensinou muita coisa. Viveu uma vida brilhante e diferente, sendo um esquerdo aos olhos desatentos, um grande ponta-esquerda da filosofia.

Este senhor disse em seu leito de morte: “Digam que eu tive uma vida maneira” – “Tell them I’ve had a wonderful life”.

Tem gente que acha que foi uma ironia – eu acho que não.

= O bandeirinha da final de 1966 (Inglaterra x Alemanha) chamado Tofik Bakhramov teria dito em seu leito de morte, sobre a validação de um gol irregular na Copa que definiu o título pra Inglaterra: “Stalingrado”.

Se non è vero, è ben trovato.

= As últimas de Getúlio todos conhecem.

As últimas palavras são escolhidas ou saem como Rosebud das nossas bocas?

E quem não teve a chance nem de ao menos pronunciar as últimas palavras, ou as pronunciou sem saber que eram as últimas? (e neste momento, companheiros, em um post despretensioso que começou pensando em cidadão kane e que teria um final charmoso por falar acerca da insinceridade dos moribundos, vou às lágrimas massacrado por lembranças de hospital

Mehr Licht

um post preguiçoso

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dorothy

1 – Se apenas podemos expressar o que já tivemos contato alguma vez, ou seja, o que acontece no mundo, como poderíamos falar com sentido sobre coisas que não estão no mundo mas que, talvez, existam?

2 – se o altíssimo inverso entrou no quarto de Fausto como um poodle preto, o que seria minha cachorra que acaba de entrar neste quarto e que não tem cor nem raça definidas?

3 – Se Tarás matou seu filho para honrar os cossacos, por que não matou os cossacos que puderam dar origem a um ser tão sensível, apaixonado e traidor?

Post preguiçoso e insosso e sonolento, de um germe que luta desesperadamente contra suas limitações motoras e intelectuais em frente a um computador tão paradoxal quanto o infinito.