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Arquivo da tag: Ribeirão Preto

sobre ver cavalos pulando

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Com exceção do champagne às três da tarde em Ribeirão, com exceção da música ruim tocando atrás, com exceção das cocotas a exibir bolsas Louis Vuitton, com exceção dos rapazes a pavonar com óculos mais ridículos que os meus, com exceção da ostentação barata, com exceção, enfim, de 90 porcento das pessoas, assistir a cavalos pulando é um espetáculo muito bonito para adultos e crianças.

O desafio é grande, e nós ficamos torcendo pelo cavalo que dá saltos realmente impressionantes ao vivo. Sempre achava que o obstáculo era alto demais para a distância em que começam a pular.

A foto acima é minha mesmo, mas não tenho ideia de quem está montando nem o nome do animal. Se alguém por acaso souber, agradeço. Se a pessoa desejar que eu retire a foto, também o faço.

Este evento foi na Hípica de Ribeirão Preto, estava lá por que era aberto ao público. Qualificava para a Athina Onassis International Horse (assim?), e, seja lá o que for isto, era alguma coisa importante para os participantes. A hípica estava lotada de gente e cavalos (quase 400). Para quem não queria ficar na poltrona em dia de domingo, foi ótimo.

Ainda sobre o Otto

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Escrevi outro dia minhas opiniões sobre o álbum novo do Otto. Mas fiquei pensando: qual o espaço teria Otto se fosse de Ribeirão Preto?

Pode parecer besteira, mas acho que Otto, se chegasse a fazer música, teria de se mudar para São Paulo para se apresentar mais que uma vez por ano em uma cidade, não é?

Meus amigos, digo isto por que temos que escolher (pelo menos as pessoas que gostam de música), os caminhos os quais nos levarão Ribeirão. Temos que parar de sermos colônia de outras culturas. O caldo regional é rico e pode dar frutos, e temos que canalizar as energias para produção de uma arte original e daqui: caipiras, usinas de cana, mendigos, pessoas que não sabem dirigir, álcool, universidades, mercadão, Caramuru cruzando com a João Fiúsa. Etc.

E isto vale para muitas outras cidades do interior paulista que conheço, como Franca, São José do Rio Preto, Presidente Prudente, e outras. Estamos em débito com o Brasil.

espaço cultural a coisa

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Φ À beira do penhasco, com a velha cidade a te olhar, com a câmara dos deputados e a vila tibério a te olhar, conheci um lugar realmente especial em Ribeirão Preto. “A Coisa” tem vários ingredientes que podem dar caldo bom, principalmente neste comecinho de frio – e não sei como ainda não conhecia esta casa.

Além da vista espetacular de Ribeirão, o pessoal predominantemente universitário e em geral um pouco mais velho do que se encontra em muitas baladas (o que é bom) faz com o clima seja de paz e de festa ao mesmo tempo. Isto em função de haver ambinetes externos os quais permitem uma boa conversa ao pé do ouvido, sem se incomodar com a música lá dentro.

Em tempos de calor a coisa deve ser mais complicada. O teto é baixo, e deve cozinhar as pessoas – este é o aspecto ruim que ao mesmo tempo dá aquele clima underground, como me lembro em casas paulistanas como a borracharia (o piso superior), Tapas Club (também o piso superior), e aqueles lugarzinhos de Perdizes ao lado da PUC em que se jogava bilhar.

Este post começou falando do penhasco. O desfiladeiro que salta aos olhos é recheado de árvores e dá uma estranha sensação, parece que a vida está ali naquele escuro e naquelas árvores mal iluminadas. O que nos ampara nesta casa é um simples amparo de concreto. A beira do penhasco é curta, mas não é estreita.

Vale muito a visita, e vou acompanhar alguns outros eventos para ver como é o esquema mesmo. A banda que tocou, Chic Hernandez, é de amigos meus e, assim, não posso fazer comentários nem perto de imparciais. Deixo apenas um salve para as meninas do “Pé na tábua”, do sapateado, que deram um ar encantador à noite, com momentos de poesia.

A coisa

http://espacoacoisa.blogspot.com/

rua Amador Bueno, 1300

Pertinho do Conservatório Vila Lobos , no final da nove de julho.

ida em 09 de abril de 2010

ainda a cena de ribeirão

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Sobre três vertentes, ainda de riberão.

CAUIM: O cine Cauim, encampado pelo grande Cachaça é uma mostra de que algo pode ser feito com muito sucesso. É uma iniciativa fantástica e já consolidada. Mas ainda falta uma generalização de um clima aberto a coisas novas e autêntica em outros lugares. Dublin foi retratada por Joyce em suas pessoas mais comuns. E o que era Dublin naquela época, meu Deus do Céu? Uma cidade que mereceu a homenagem de um  gênio, com sinceridade, mas que também era apenas uma cidade, como é Ribeirão.

CASAS NOTURNAS e BARES: A Vila Dionísio é uma casa de respeito, um pub muito gostoso, mas nada mais faz que dar espaço a quem já tem muito espaço: músicas consagradas, ritmos importados, etc., etc –  a casa tem seu lugar, mas nada muito importante para o que vejo como necessário. O Bronze, por outro lado, tem potencial, mas ainda engatinha.

TEATRO e CINEMA: O Teatro Dom  Pedro II tem apresentações em sua esmagadora maioria vindas de outras partes do país.Eu adoro o Teatro de Arena, mais ainda faltam peças adequadas àquele espaço.

A sinfônica toca apenas peças consagradas e repetidas para alguém com alguma experiência em concertos. Mas esta eu não culpo, pois são as grandes sinfonias que uma cidade ainda sem uma cultural de Teatro precisa. Ouvir a quinta ou a nona de Beethoven a primeira vez ao vivo é excepcional. Karlheinz Stockhausen não seria suportado em Ribeirão por nem 5 ouvintes. Estaria eu enganado, sendo duro demais?

A companhia de cinema Kaiser ainda tem muito o que mostrar, e acho que irá mostrar.

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Assim, o que falta é assumir a condição de caipira e de capitalista desigual. Os artistas existem, e têm de se unir, mas a abertura e o incentivo ainda são mesquinhos.

O excelente é, apenas e infelizmente, o chopp, a cerveja colorado e o Cauim.

Sobre a cena de Ribeirão Preto

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Ribeirão é uma das grandes cidades do país e, descontadas as cidades da grande São Paulo e Campinas, a maior cidade do interior do estado. É, também, uma das regiões mais ricas, embora seu modelo ecoônomico gere claras desigualdades, o que se pode constatar com as favelas existentes na cidade, a maioria bem recentes.

Contudo, não é por conta disto que Ribeirão tem uma cena cultural decente. Ao contrário, é uma cidade com mentalidade mais próxima de uma pequena cidade do que de uma com 700 mil habitantes. Kleinstadt-Mentalität, como diria um outro.  Há pequenas cidades da região que possuem uma vida cultural muito mais intensa e autêntica do que Ribeirão, como Santo Antônio da Alegria, por mais incrível que isto possa parecer.

Digo autêntica por que Ribeirão Preto ainda não encontrou um caminho cultural próprio, não possui nenhuma manifestação cultural que represente a importância da cidade, embora nesta opinião o caldo para esta composição seja enorme.

A rotina do chopp em bares muitas vezes sem música é uma mostra disto: há jovens músicos com boas bandas e que não têm nenhum espaço para mostrarem o que de mais importante  há para um artista.

Para mim, é ridículo ver o saudosismo que alguns têm com a ”boa música” brasileira, ou seja, Jobim, Caetano, Chico, Elis, Milton etc. etc. etc. São estes monstros inspiradores, mas não foram deuses. O Caetano, por exemplo, fez nesta opinião dois álbuns recentes espetaculares, principalmente Zii e Zie, mas NUNCA ouvi suas músicas tocadas nestes bares e casas noturnas de Ribeirão – só se ouve um leãozinho. Ribeirão ainda não conseguiu entender a grandeza de Portinari (que nasceu ali muito perto), que pintou seu mundo, seu mundo que também é o mundo.