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Quem come quem?

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quem come?

A língua portuguesa é gentil com o verbo “comer”.

O sentido não é apenas o da alimentação de homens e animais – há línguas em que em relação aos animais não se usa o mesmo verbo que o dos humanos quando aqueles “comem”.

O desgaste de uma barra de metal é sinal que está “comida” – “uma lima come o ferro”; transar é “comer” —- embora neste caso não dê para saber quem come quem, apesar do uso machista do termo – poderia se sugerir uma alusão menos física e mais lúdica: em uma transa, quem possui o outro o come: “I once had a girl, or should I say, she once had me”.

Quando se gasta em excesso, “come-se” o dinheiro; “come-se” o tempo: “comi cada segundo de minha vida”.

A seca, por seu turno, pôde “comer” todos as pessoas em 1915.

Há também o sentido de experimentar: “desse fruto não como”, me diz o Houaiss.

Em um jogo, come-se o peão e a rainha.

Nos jogos do Palmeiras, a incompetência come solta.

(E na foto acima, acredite, quem come é a larva e não o anfíbio): http://www.wired.com/wiredscience/2011/09/epomis-beetle-amphibians

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quotiano

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sete acordo com gritos das crianças. o grande vem dormir no colchão com a pequena, a acorda todo santo dia.

A pequena chora, e saio do sofá que dormia desesperado achando que aconteceu algo. mulher.

Beijo em todos.

papelada bagunçada para carro. macbook quebrado de novo.

Carro, sem café ou queijo ou jornal.

sigur rós, golden slumbers, going to california. tudo no repeat.

Setenta quilômetros: pista dupla, caminhões de cana, pista simples, curvas, caminhões de cana, rio, buraco, trevo, córrego, curva da morte, subidona, caminhões de cana. paralelepípedos.

destino: abre portão, fecha portão. abre portãozinho, cumprimenta cachorras, fecha portãozinho.

oi às moças que estão limpando e conversando. Fantástico e Faustão e mega-sena.

café e queijo e jornal. palmeiras na draga, europa afundando, enem preocupa os editores paulistas do Estadão.

Trabalho. Reviso trabalhos dos alunos, anoto suas faltas, planejo a próxima aula. Planejo errado. tenho que voltar do princípio. não tenho mais tempo.

Saio do recinto: praça da matriz: velhos, bêbados, barbeiro, sorveteiro, lixeiro, vereador grudento.

Escada, inventário, contas, ação de cobrança, contas, telefonemas, cálculos, pepinos de toda ordem. dívidas. meu pagamento não caiu. o telefone diz: culpa sua (?).

Saio do recinto: praça da matriz: velhos, bêbados, barbeiro, sorveteiro, lixeiro, prefeito inadjetivável.

Comida. Agora. Desesperadamente. meio dia e meia.

série uma vida em frente à TV – ep. 1

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Pra começar, não tenho certeza se o acento grave está certo, mas tudo bem.

Uma vida em frente a um aparelho não é algo a ser descartado.

Começo pelos idos de 1993.

Quem era eu naquela época…. Um nadador obstinado, ganhando várias medalhas, a apenas dois anos da obesidade.

Não sei por que, mas já gostava de futebol. Via meu Palmeiras com Evair e cia. ser campeão paulista e brasileiro. Mas o mais interessante não é isso. Eram os domingos.

Acordava e pulava da cama pra ver os jogos do Italiano, o melhor torneio de futebol do mundo, disparado. Não sei por que cargas d´água também via o campeonato alemão, desde então o pior do mundo.

Torcia para o Inter de Milão ou para o Borussia Dortmund – um time médio, se tanto. Apenas gostava das cores, e entendia menos de futebol que hoje.

Adorava a rotina dos domingos.

Vidinha inútil. Também assistia ao Ayrton Senna.

Comia macarrão no quarto dos meus avós e via os jogos.

Mais tarde, ia tomar sauna com meu avô, momento em que bebia coca-cola e comia pipoca (jogava esta dentro do copo de coca-cola) – nesta hora via o time fantástico do Palmeiras.

 

Pode ser que não fosse aos domingos, não sei. Pode ser que meu time não tenha sido campeão, nem o Senna morrido. Pode ser que ainda esteja vendo aquela mesma TV todos os domingos.

 

 

Sobre tomar café com cartolas

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Hoje acordei cedo. Passei pela paulista, depois Dr. Arnaldo. Que fzer? Puc ou Bandeirantes?

Fome. Dormi sem comer, só alcool no estômago – Brahma Black, pedido do amigo luhmanniano.

 

Paro para tomar um café em Perdizes. Que há em Perdizes? Puc, cocotas, velhinhos e .. Palmeiras.

Na mesa ao lado eram diretores do Palmeiras articulando a nova chapa para as eleições; e falavam muito alto – reconheci um deles.

Peço um espresso e um queijo mineiro na chapa com pão. Olho pra TV. Todos olham para ver o gol olímpico do Marcos Assunção: Puquianos, cocotas, velhinhos, menos … os diretores do Palmeiras.

Difícil acreditar, né? Pois é.

 

Pego o jornal e leio sobre a possível fraude dos Abravanel. Rumo à Bandeirantes.

 

 

sobre a torcida do palmeiras

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Vi o Roberto Baggio falar que no dia em que viu a torcida do Boca cantando feito louca com o time a perder no estádio, virou torcedor do time. E que na Itália um comportamento como este seria impensável.

Pois é. O Palmeiras deixou de ser um time de colônia há muito tempo, mas conserva este traço: somos uma torcida à la Itália.

Já vi o time metendo 3 no Fluzinho e sujeito xingando os jogadores o tempo todo. A torcida não fica muda nunca, esteja como estiver o time.

Baggio esqueceu de falar que este traço possui uma particuliaridade e um bônus: quando o time mostra coragem dentro de campo, quando o time agarra a camisa e parte pra cima, meu amigo… meu amigo… vê uma onda de vibração como nunca se viu.

E não precisa vencer, bem que se diga. Precisa jogar bem, pois a torcida palmeirense não é um bando de acéfalos gritando sem parar sem sequer ver o jogo. Veja, por exemplo, o comportamento dos torcedores no jogo em que se perdeu a libertadores de 2000 em pleno Palestra – e contra o Boca. Roubado.

Há imbecis: o Palmeiras chegou com chances de ser campeão na última rodada do Brasileirão passado, mas a torcida fez protesto a semana toda anterior, por exemplo. O Diego Souza, um belíssimo jogador, sofre com as cornetagens recentemente.

Mas é esta torcida ranzinza e apaixona que quero ver de novo semana que vem, pois o velho Palestra será reformado para dar lugar a uma “Arena”, seja lá pra que isto sirva.