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Arquivo da tag: nada

Sobre o processo estético

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Não importa realmente se criar o estético é o que nos diferencia das bestas.

Importa a criação, este quase contato com o indizível que este blog inspirado num austríaco vira e mexe aponta.

Ainda não consegui articular um livro (fora a parte acadêmica), apenas contos. Talvez não seja capaz disto.

Poesias, por outro lado, tenho muitas. Escrevi neste ano um monte. Talvez devesse publicá-las.

Estas poesias surgem muito estranhamente, em momentos absolutamente não poéticos, ou aparentemente sem poesia. É repentino, raivoso como um raio.

A criação musical com a banda, no entanto, articula-se em inúmeros ensaios, os quais fazem com que se perca um pouco daquela espontaneidade inicial da música, o momento em que vagamente se observa um novo som com os ouvidos.

Talvez a melhor forma seja a espontânea, a desarticulada, a que revela o belo no primeiro momento.

Quem concordaria com isso, num tempo de extrema profissionalização e técnica, num tempo em que ou se é digital (1/0, escuro ou não escuro, verdade ou não verdade), ou não se é?

Como disse o outro, entre a dor e o nada, fico com a dor.

Entre o momento e a busca incessante de reduzir o momento ao esperado, ao padrão, ao plano, a Descartes, fico com o momento.

Quem concordaria comigo? Só o Bob, o Dylan.

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Sobre tudo o que é sólido

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(Lemmy Caution gegen Alpha 60)

A liquefação de nossas vidas é cantada por alguns dos mais interessantes estudiosos contemporâneos, como Bauman e em certo sentido por Agamben.

Não quero direcionar-me aqui exatamente como estes autores o fazem – trato aqui apenas de meu imenso mundinhozinho, maior que o de R. Crusoe.

É que meu corpo aos poucos se liquefaz.

Não de um jeito comum: não a partir de uma tragédia, uma noite de besteiras, um dia mal dormido.

Pare a cada dia uma luz mais forte que a que já havia e cega a anterior.

(os grupos de estudos acabam, a banda acaba, a música, a viagem, o ontem, o livro, a cocaína, o suicídio).