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sobre Tinariwen

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E sobre a mundialização

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sobre usar cocaína

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Algo de muito estranho ronda as noites do interior.

Sempre soube e vi o uso de drogas por aqui. Vi maconha, cocaína, ecstasy, cola, lsd. Não é nenhuma novidade.

De minha parte, prefiro a viagem sóbria: ler um livro (leio hoje Palmeiras selvagens de Guilherme Faulkner), ver um filme (vejo hoje Metropolis de Fritz Lang), tocar e fazer um som – são coisas que permitem um contato com algo quase sobre-humano. Um toque no que não pode ser dito, digamos assim.

A grande contradição nisto é o álcool etílico. Bebo bem e constantemente há 11 anos.

Em minha infância e adolescência incutiram-me um grande medo a respeito das drogas ilegais, mas com o álcool (vinho e cerveja) a coisa foi diferente. Assim, não uso drogas tanto pelo medo primordial quanto por gostar de ter prazer com outras coisas (culturais, por assim dizer), com esta contradição.

Pelo menos é assim que me resolvi. Deve haver mais fundo.

O que ronda o interior e me assusta é a cocaína: vejo hoje amigos de infância, de criação (prefiro a palavra “criação” a “educação”, ao contrário da auto-ajuda inútil), cheirando pó quase todos os dias. Não me parecem felizes, não, usando a droga.

São os mesmos que com 18 anos atacavam viceralmente os que fumavam maconha, que repudiavam em sua certeza de criados em uma mentalidade de cidade pequena qualquer coisa que fugisse do padrão escola-faculdade-profissão estável-felicidade.

Como o trem do mundo, este ritmo quase-trinta-anos me assusta.

Entendo e não vou discriminar estes amigos, deixá-los de lado – o contato já pouco atualmente. Estou mais assustado que tudo e com medo. Um medo burguês? Pode ser. Sempre achei que mais vale a vida prazerosa que esta tentativa de prolongamento vã e inútil do mais viver deste começo de século.

À felicidade, desesperadamente.

Sobre ter o Calvin em casa

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Conhece o Calvin, né?

Perguntei ao meu hoje, que estava no banco de trás do carro:

– Calvin, que você está pensando aí, hein?

– Que deve ser muito gostoso voar.

Criança é demais. É o contato com o infinito e com o absoluto que me falou Peirce um dia.

É você ser muito feliz com pequenas coisas que parecem bestas e que a maioria esmagadora das pessoas odeia, como limpar peixes com o marido ou levar seu filho na escola, no meu caso.

Calvin pode ser observado com um certo olho: é um menino espantado com o mundo e com a própria compreensão que consegue já ter, e justamente por isso pode ser tão mágico ler seus quadrinhos. O mundo é espantoso, é grande, e a fantasia é como ele processa.  Mas constantemente a imaginação é parada, mesmo com os pais (no caso do Calvin) portarem-se de forma gentil e compreensiva na maioria das vezes.

O Calvin não vive para sempre, um dia vira outro.

última tirinha do Calvin

E eu disse, no fim:

– Também queria poder voar, filho.