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sobre 18 de Brumário de Louis Bonaparte

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Marx pelo der Spiegel

Duas vezes

Meu amigo Karl me disse anteontem que os grandes fatos e personagens históricos aparecem duas vezes na história: a primeira como uma grande tragédia e a segunda como uma farsa rota, miserável. (a tradução portuguesa retira os adjetivos).

Marx escrevia muito bem. O dezoito de brumário e a ideologia alemã, em especial, são muito gostosos de ler. Naquele, o bonapartismo é bem analisado. O velho barbudo não tinha nenhuma simpatia por reizinhos.

A provacação é, desculpem me, óbvia: Lula pode não ter sido uma tragédia, mas aquela-que-se-apresenta-como-a-grande-sucessora não seria uma farsa esfarrapada?

Bom, não, porque os personagens não são sequer comparáveis. Ou será Lula já uma reedição de algo, tipo Getúlio? E Getúlio, de quem? Mussolini? E Mussolini? de Dante? Virgílio?

Falando sério, cito aqui Marx por dois motivos:

1- Ele não foi um imbecil maniqueísta, como é hoje uma boa parte da esquerda do Brasil: neste livro ele mostra como a burguesia é capaz de se moldar a diferentes regimes e lideranças para manter o poder.

2 – Karl teve o poder de analisar muito bem uma situação que acontecia aos seus olhos, e, dessa forma, é mostra de como pode ser um intelectual: com bagagem, rigor e estudo, sim, mas também pensando o presente.

“Hegel bemerkt irgendwo, daß alle großen weltgeschichtlichen Thatsachen und Personen sich so zu sagen zweimal ereignen. Er hat vergessen hinzuzufügen: das eine Mal als große Tragödie, das andre Mal als lumpige Farce”

Mundinho Apple

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Escrevi há uns dois dias atrás sobre a vinda no Macbook Pro com processadores i5 e i7 da intel. Como este é um blog, falo sobre minha vida, de aspectos específicos que me interessam. E me interessa um macbook.

Agora, aquele post também foi uma brincadeira. Depois que comprei um mac, há uns seis meses, li muito para melhor usar o sistema operacional, e vejo como as pessoas que estão na onda da apple são fascinadas pela própria marca. Não tem graça nenhuma. É bem pior que o brilho exercido pela Nike, Coca-cola e outras marcas.

A apple representa um novo passo da relação entre marcas e seres humanos. Uma apple girl ou apple boy é uma pessoa mais que identificada com a marca: ela é a marca e além do orgulho assume que tomou uma série de atitudes condizentes com a marca. Defende a marca. Quer o fim de outras marcas para que o Ipad venda mais – o fim do Flash, por exemplo, com é comum se ler por aí. Torce para que a empresa de Jobs venda mais Ipods na Suíça ou na Indonésia.

Se a Toyota fez com que os trabalhadores tivessem orgulhos de produzir determinado objeto, a apple faz com que haja um locus específico para seus clientes…. é como se fosse um clube, uma associação, uma torcida, uma gangue.  É ainda o fetichismo da mercadoria do velho Marx, mas com algo mais, que gostaria de saber expressar melhor. É como uma feitiçaria.

E não, não quero destemperadamente um Macbook Pro nem esperava ansiosamente pelo novo macbook. Se puder, comprarei um, mas sei bem que é apenas um objeto e que a apple ou o Steve Jobs não são melhores que a Microsoft ou o Bill Gates. Em nada.