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Arquivo da tag: livro

Sobre o processo estético

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Não importa realmente se criar o estético é o que nos diferencia das bestas.

Importa a criação, este quase contato com o indizível que este blog inspirado num austríaco vira e mexe aponta.

Ainda não consegui articular um livro (fora a parte acadêmica), apenas contos. Talvez não seja capaz disto.

Poesias, por outro lado, tenho muitas. Escrevi neste ano um monte. Talvez devesse publicá-las.

Estas poesias surgem muito estranhamente, em momentos absolutamente não poéticos, ou aparentemente sem poesia. É repentino, raivoso como um raio.

A criação musical com a banda, no entanto, articula-se em inúmeros ensaios, os quais fazem com que se perca um pouco daquela espontaneidade inicial da música, o momento em que vagamente se observa um novo som com os ouvidos.

Talvez a melhor forma seja a espontânea, a desarticulada, a que revela o belo no primeiro momento.

Quem concordaria com isso, num tempo de extrema profissionalização e técnica, num tempo em que ou se é digital (1/0, escuro ou não escuro, verdade ou não verdade), ou não se é?

Como disse o outro, entre a dor e o nada, fico com a dor.

Entre o momento e a busca incessante de reduzir o momento ao esperado, ao padrão, ao plano, a Descartes, fico com o momento.

Quem concordaria comigo? Só o Bob, o Dylan.

x+4=8

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Ele não é mais o Calvin, mesmo. Está mais para a Alice no país … : curioso, esperto, com umas sacadas desmontantes.

Alice, aliás, é o livro que li pra ele nas férias, ou melhor, li com ele.

Estávamos no supermercado perto de casa, o qual possui uma banca de jornal em frete. Nesta banca vendem-se também dvd´s e cd´s daquele jeito.

O moleque achou esta última versão da Alice e ficou: “Compra”, “Compra”,”Compra”,”Compra”,”Compra”,”Compra”,”Compra”,”Compra”,”Compra”,”Compra”,”Compra”,”Compra”,”Compra”,”Compra”,”Compra”,”Compra”,

E eu: “Cara, vamos alugar este filme, com uma qualidade um pouco melhor e etc.” e Ele: “Compra”,”Compra”,”Compra”,”Compra”,”Compra”,”Compra”,”Compra”,

Já dentro do supermercado, cansado de ouvir a palavra que começa com “‘c” e termina com “a”, falei: “Ó, se cê matar esta, eu compro”.

E mandei pro menino de 7 anos:

“X+4=8. Qual o valor de X?”.

E ele: “4+4=8”.

Fiquei branco. “Então, X vale…”

E ele: “mais 4”.

Falei: GANHOU!

Fiquei 5 minutos admirando o menino. E não acredito até agora que acertou uma equação com uma incógnita. Aliás, não acredito até agora.

sobre o equipamento e o talento

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yamaha hs 50

É razoavelmente simples:

O homem (espécie da qual faço parte até segunda ordem) desenvolveu uma série de equipamentos impressionantes para melhorar suas aptidões. O talento, aquilo com o que a pessoa nasce para o que é, este só pertence ao homem individual.

Contudo, J. Page nunca teria sido um grande guitarrista se seus pais não pudessem ter lhe comprado uma guitarra, ou, ainda, se a guitarra não tivesse sido inventada. O Brasil desperdiça Mozarts aos montes por culpa dos políticos: um pouco de estrutura material é indispensável.

Já os néscios do século XXI que pouco talento têm, estes (anacoluto?) podem comprar uma série de bugigangas fabulosas que os fazem chegar mais perto dos que têm algo a oferecer ao mundo que não dinheiro.

Bom, o que eu ia dizer é que minha impressão sobre algumas músicas mudou para melhor desde que estou usando uma parafernalha que vicia: duas boas caixas de monitoração de estúdio (que nem são tops no segmento) apenas em estéreo. São lindas e têm um som não muito alto mas realmente impressionante em funçao da qualidade e dos detalhes.

Assim, continuarei a trajetória das pessoas de meios talentos: consigo apreciar uma boa música, mas talvez nunca faça uma boa música; consigo ler um livro de 2000 páginas, mas talvez nunca termine o conto que comecei na Bolívia, há dois ou três anos atrás.

Preciso de caixas para ouvir a música, enquanto os que têm talento só precisam das esferas. Meu ouvido precisa do aparato, deste enorme aparelho que ocupa meia página deste blog, muito maior e mais importante que as letras escritas abaixo.

série papo com o professor – ep. 1

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Em virtude de eu estar próximo de me tornar professor, trago aqui algumas situações vividas por mim em classe de aula, algumas cômicas outras trágicas e outras simplesmente inventadas.

Passei o maior tempo de minha vida ou na escola ou envolto em livros, como estou neste instante.
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(micróbio) — Professor, gosto bastante de Economia, cheguei a passar no vestibular pra Economia, mas estou aqui neste lugarzinho mesmo.

(professor de Economia Política do 1o. ano da Facu) — Ah, que bom. É sempre bom ver alunos interessados na aula, mesmo que você tenha conversado demais com os colegas.

(micróbio) — Arramm. A gente tava só marcando um pagodinho no quintal da casa do Fred. Bom, mas o que eu queria saber é: que livro o senhor indicaria pra acompanhar as aulas? – senti falta da bibliografia.

(professor) — Livro? Não, não. Os alunos geralmente se confundem quando lêem livros. O melhor é você seguir minha aula pela apostilinha que está no Xerox.

(micróbio) — Mas não tem nem um livrinho que sirva pra seguir a apostilinhazinha que está no Xerox?

(professor) — Na minha apostila tem tudo o que você precisa saber pra você passar nesta matéria.

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relatei a vocês um dos piores dias de minha vida acadêmica, sem dúvida. Depois desta, me enfurnei num bar e saí cinco anos depois.