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Arquivo da tag: goethe

sobre fausto

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O que me atraiu em Fausto, penso hoje, o que me fez ler até o final o livro que mudou completamente minha maneira de o mundo ser escrito, foi seu começo.

A aposta com o diabo, o Pferdefuß, é das coisas mais bem escritas que já li. É realmente maravilhoso: aposta com o diabo que jamais estará satisfeito.

Diabo

E você já sabe quem “vence” no final, não é?

É uma angústia. Não sei se é a angústia de todos, se faz parte da angústia moderna. De minha parte, não estou nunca satisfeito. Estou sempre, portanto, angustiado.

Apostaria para ver que nunca estarei satisfeito. Não existe diabo, e não existe pacto nenhum.

Tenho, no entanto, já 29 e não fiz dez por cento do que gostaria. O jeito é me entregar a Liszt e engolir minha médio-cridade. Mas não consigo, apesar de minha psicóloga antiga ter dito para me resignar.

O duelo de Fausto é esse: uma batalha discursiva sobre a resignação. Nem Helena deu jeito.

(Ontem Cortázar me disse que enviaria uma garrafa ao mar.

é mais ou menos por aí. As mensagens desta vida vêm de modo bastante lento, no marulho. E quando chegam, dificilmente se vê que chegaram em função da garrafa de vidro.)

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sobre a virada cultural paulista

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Ribeirão não terá GRAAAAndes atrações na virada.

Eu vou ver apenas o cine Goethe (Alameda do sol), Nina Becker no municipal e Garoto Cósmico no Cauim no outro dia com meu Calvin, e talvez autoramas.

Titãs tô fora, talvez também Lobão em São Carlos.

Queria mesmo era Cat Power, mas esta vai tocar muito longe.

Pode ser discutida a grana gasta com a virada na capital e no interior em um país já com verbas tão escassas.
Pode ser argumentado que o excesso de atrações prejudica paradoxalmente o espetáculo: nem se consegue pensar no que se viu e já sai todo mundo correndo.

Mas uma coisa, pra mim, é inegável: é a virada do caralho! É uma experiência estética muito legal, que não deve e nem pode ser a única, tudo bem. Mas não vejo nela mesmo nenhum problema em acontecer.