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Arquivo da tag: FIFA

sobre a geral do maraca

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De Lúcio de Castro, em comentário na ESPN Brasil:

“Eu estava vendo ‘Garrincha, a alegria do povo’, [e lá havia] aquela geral do Maracanã, cheia de preto mermo … a negada lá desdentada podendo ver seu time, sua paixão. este Maracanã que a gente não vai ter mais, onde fui criado, vendo ali no meio da geral mermo, o povão podendo ver”

 

(note que a chamada da notícia do link só menciona o comentário do PVC)

Garrincha no maraca

Ora, não sou desses saudosistas que acham que o Brasil era um país melhor há 60 anos atrás.

Claro, havia menos violência, a vida cultural era ótima, e as pessoas viviam em cidades de maneira mais tranquila.

Isto, contudo, não quer dizer que aquele não era o país que privilegia uma elite opressora, como hoje. Que aquele não era o país vendido aos interesses estadunidenses, como é hoje, que não era um país cujas elites desejavam ser europeias, e cujos trabalhadores desejavam ser burgueses. Tal como hoje.

 

Bem, dito isso, é impressionante como o processo excludente no Brasil se aprofunda em várias camadas. O fim da geral no Maracanã é um símbolo. O povo hoje perde inclusive seu circo, pois o circo para ser bom deve ser branco.

É a lógica da exclusão do capitalismo, me desculpem se sôo repetitivo.

Observe, no entanto, que a exclusão é postiça: o pobre e o miserável não foram cuspidos da globalização, pois são partes fundamentais à continuação do processo. Foram cuspidos apenas dos benefícios da globalização e do capitalismo, como se observa na exclusão dos pobres da copa do mundo.

Talvez isto gere um descontentamento geral de tal grau que TALVEZ possamos mudar alguma coisa.

(por fim, fica um salve à ESPN Brasil, que diuturnamente chega o reio nos desmandos da CBF, da Fifa e da Copa )

sobre a necessidade de se falar da copa

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o presidente e o governador

É uma mais que uma questão momentânea a copa do mundo no Brasil.

Entendo que nosso país lutou e muito para chegar onde está (ok, não está lá muito bem). Mesmo que ainda haja caciques, miséria, desigualdade e etc., não vejo como negar que a democracia é no atual estágio de desenvolvimento de nosso país uma ótima opção.

E daí? Daí que as instituições de um país apenas podem ser conhecidas nos momentos graves, ou seja, nas horas em que são postas à prova.

Não se trata de uma moral, como a que suporia que devemos todos rumar à honestidade. Não existe “a” Moral, como dizia nosso mestre austríaco. Trata-se de direito. Direito, desculpem-me os carolas, os padres e alguns bem intencionados defensores dos “direitos humanos”, não é e nem pode se confundir com a moral.

Assim, está em xeque em um momento grave de nossa história o direito. Como vão reagir nossos tribunais diante da enxurrada de absurdos em prol de duas gigantescas organizações privadas como a FIFA e o COI?

Não sei, e este é um teste. É nosso grande teste. Por enquanto, vê-se o famigerado espetáculo de beija-mãos entre poderosos, inclusive com a inversão de papéis. Não me importam, agora, mais os políticos. Quero é ver como será o poder contra-fáctico dio direito.

O direito nunca me desapontou porquê nos momentos graves geralmente espero que este haja de forma diferente da que eu agiria – claro, é uma metáfora, pois o direito não existe. Em outras palavras, não pode desapontar algo do qual nada se espera.

Espero, então, ser surpreendido. Que sejamos sólidos. É momento chave de nossa democracia de 23 anos visto por alguém que nasceu na ditadura.

sobre a copa do mundo de 2014 no Brasil

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Não haveria nada de mais no fato de o Brasil sediar a copa do mundo em 2014. Absolutamente nada, não fosse tratar-se de Brasil e de Fifa. E, infelizmente, é o caso.

Os mais crentes diriam que basta apenas fiscalizar bem como o dinheiro será aplicado e, no mais, bastaria aproveitar a infraestrutura que seria aqui investida.

A coisa não é bem assim:

1- A FIFA fica com TODA a arrecadação referente aos ingressos da Copa. Ué, assim eu também quero. Não coloco um tostão, apenas organizo (que custa e dá trabalho, OK) e recebo TODA a renda das entradas.

2- A FIFA recebe TODA a renda auferida com a publicidade.

3- A FIFA recebe TODA a renda obtida com os direitos de transmissão.

4- A FIFA e seus “parceiros” (talvez alguém que tenha feito direito possa encontrar nome melhor em certos códigos) NÃO PAGAM IMPOSTO ao país-sede.

Por parte do “governo” brasileiro:

1- Serão gastos de R$ 30 a 60 bilhões (!) com um trem bala que ligará Campinas ao Rio, enquanto a malha ferroviária do país está capenga. Junto ao governo, entrarão na festa do dinheiro os fundos de pensão como a PREVI.

No caso do trem de alta velocidade (TAV), não haveria necessariamente um problema, não fosse:

— 1a – O trem bala ligará apenas aeroportos, ou seja, não passará pelas cidades.

— 1b – O trem bala custará uma fortuna, ou seja, será apenas para quem tem bufunfa.

— 1c – O Brasil precisaria investir em ligações ferroviárias para um país de proporções continentais, e para ligar pessoas e produção: Mato Grosso do Norte e do Sul até o pacífico e uma espécie de transnordestina. Ou, ainda, uma ligação entre Porto Alegre, passando pelo porto seco de Criciúma, pelo molhado de Itajaí e chegando a Curitiba.

— 1d – O trecho Campinas –> Rio de Janeiro já possui estradas muito boas (apesar de caras) e aeroportos. Sou a favor, repito, do transporte ferroviário, mas este trecho não é urgente: já fizeram a burrada de nos encher de estrada, agora não é hora de mudar absolutamente tudo.

— 1e – Trem bala é projeto mirabolante de uma elite que foi proposto inicialmente por .. Levi Fidelix!

— 1f – Esta palhaçada toda representada por estes bilhões será feita por ocasião de um evento de um mês.

— 1g – Nem imagino o impacto ambiental deste projeto. Aliás, nem eu nem o governo.

Acho que vou parar por aqui, já ficou grande demais a parte do trem bala. O comentário em relação à Copa de 2014 terá seguimento. Na próxima é sobre os estádios, mas é pra próxima.

ps: vi só agora este artigo sobre o trem bala. Faz sentido o que diz.