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sobre fausto

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O que me atraiu em Fausto, penso hoje, o que me fez ler até o final o livro que mudou completamente minha maneira de o mundo ser escrito, foi seu começo.

A aposta com o diabo, o Pferdefuß, é das coisas mais bem escritas que já li. É realmente maravilhoso: aposta com o diabo que jamais estará satisfeito.

Diabo

E você já sabe quem “vence” no final, não é?

É uma angústia. Não sei se é a angústia de todos, se faz parte da angústia moderna. De minha parte, não estou nunca satisfeito. Estou sempre, portanto, angustiado.

Apostaria para ver que nunca estarei satisfeito. Não existe diabo, e não existe pacto nenhum.

Tenho, no entanto, já 29 e não fiz dez por cento do que gostaria. O jeito é me entregar a Liszt e engolir minha médio-cridade. Mas não consigo, apesar de minha psicóloga antiga ter dito para me resignar.

O duelo de Fausto é esse: uma batalha discursiva sobre a resignação. Nem Helena deu jeito.

(Ontem Cortázar me disse que enviaria uma garrafa ao mar.

é mais ou menos por aí. As mensagens desta vida vêm de modo bastante lento, no marulho. E quando chegam, dificilmente se vê que chegaram em função da garrafa de vidro.)

sobre uma ilustração

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Vendo este site aqui penso sobre ilustração, uma forma absolutamente recente e aparentemente “menor” de arte que a pintura de quadros e paredes em castelos e catedrais.

Heidelbach - como ilustrar kafka

Nunca me esquecerei da edição bilíngue de Fausto, editada pela Ed. 34, se não me engano (já me esqueço, portanto). As ilustrações de Delacroix davam uma aura absolutamente fascinante a um livro já fascinante.

Aliás, o título do blog é talvez do desenho que mais tenha me impressionado na vida: O Castelo Animado, de Hayao Miyazaki.

Esta animação é como o Violinista no Telhado: mesmo se não gostar de desenho, tem de gostar do Castelo Animado; mesmo se não gostar de musical, é imperioso gostar do Violinista (“Matchmaker, matchmaker, make me a match, find me a find, catch me a catch” – acho que é isto).

um post preguiçoso

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dorothy

1 – Se apenas podemos expressar o que já tivemos contato alguma vez, ou seja, o que acontece no mundo, como poderíamos falar com sentido sobre coisas que não estão no mundo mas que, talvez, existam?

2 – se o altíssimo inverso entrou no quarto de Fausto como um poodle preto, o que seria minha cachorra que acaba de entrar neste quarto e que não tem cor nem raça definidas?

3 – Se Tarás matou seu filho para honrar os cossacos, por que não matou os cossacos que puderam dar origem a um ser tão sensível, apaixonado e traidor?

Post preguiçoso e insosso e sonolento, de um germe que luta desesperadamente contra suas limitações motoras e intelectuais em frente a um computador tão paradoxal quanto o infinito.