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sobre a geral do maraca

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De Lúcio de Castro, em comentário na ESPN Brasil:

“Eu estava vendo ‘Garrincha, a alegria do povo’, [e lá havia] aquela geral do Maracanã, cheia de preto mermo … a negada lá desdentada podendo ver seu time, sua paixão. este Maracanã que a gente não vai ter mais, onde fui criado, vendo ali no meio da geral mermo, o povão podendo ver”

 

(note que a chamada da notícia do link só menciona o comentário do PVC)

Garrincha no maraca

Ora, não sou desses saudosistas que acham que o Brasil era um país melhor há 60 anos atrás.

Claro, havia menos violência, a vida cultural era ótima, e as pessoas viviam em cidades de maneira mais tranquila.

Isto, contudo, não quer dizer que aquele não era o país que privilegia uma elite opressora, como hoje. Que aquele não era o país vendido aos interesses estadunidenses, como é hoje, que não era um país cujas elites desejavam ser europeias, e cujos trabalhadores desejavam ser burgueses. Tal como hoje.

 

Bem, dito isso, é impressionante como o processo excludente no Brasil se aprofunda em várias camadas. O fim da geral no Maracanã é um símbolo. O povo hoje perde inclusive seu circo, pois o circo para ser bom deve ser branco.

É a lógica da exclusão do capitalismo, me desculpem se sôo repetitivo.

Observe, no entanto, que a exclusão é postiça: o pobre e o miserável não foram cuspidos da globalização, pois são partes fundamentais à continuação do processo. Foram cuspidos apenas dos benefícios da globalização e do capitalismo, como se observa na exclusão dos pobres da copa do mundo.

Talvez isto gere um descontentamento geral de tal grau que TALVEZ possamos mudar alguma coisa.

(por fim, fica um salve à ESPN Brasil, que diuturnamente chega o reio nos desmandos da CBF, da Fifa e da Copa )

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sobre uma obsessão

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Não é um transtorno, mas a obsessão por Dylan pode não ter cura.

Em uma época em que o noticiário ficava à volta com um casamento ridículo de um príncipe em 2011 (!) como se isto fosse cooool, comecei a ouvir “Bringing it all back home”, e hoje estou em “Blonde on blonde” – e é demais:

Nobody feels any pain – tonight as I stand inside the rain

When she said “don’t waste your words, they’re just lies” – I cried she was deaf.

Sobre os príncipes e as princesas, é como a música do Caetano para a base de Guantánamo – zie e zii é ótimo, mas esta é pior música do disco. De qualquer forma, ela expressa paralelamente o que sinto: tanto o casamento de Kate Middleton e William (Guilherme) quanto a nojenta cobertura da mídia deixam a sensação de que somos uma república de bananas, mesmo; que tentamos macaquear os EUA (que não têm príncipes) com Shoppings e asfalto.

Assim ruma o Brasil.

É por demais óbvio, como disse o Caetano, os ingleses pagarem por uma festa imbecil de uma classe privilegiada, em um país ridiculamente europeu. Mas temos que ficar com isto.

**

PARADOXALMENTE (pa-ra-do-xal-men-te – !), meu interesse pela cultura dos EUA e da Grã-Bretanha cresceu muito nos últimos tempos. Os grandes escritores que conhecia de língua inglesa eram Joyce e Hemingway, e conheci e fiquei há pouco absolutamente espantado com Faulkner. Não consigo ler nada desde “Palmeiras Selvagens”, e já comprei “O som e a fúria”, mas não consigo ler nada desde … .

Por outro lado, um país que possui um músico com uma obra comparável à de Chico Buarque deve ser olhado com atenção. Dylan é lírico, é poético, é político, é roqueiro, é bluseiro, é caipira. É romântico, ácido e contestador.

sobre um pomar de limoeiros

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limoeiros

O filme “lemon tree” me mostrou algumas coisas:

1- Qualquer filme desejoso de fazer sucesso internacional deve fazer algum tipo de referência aos EUA.

2- O Brasil sempre aparece associado ao futebol, e não sei até que ponto isto é bom ou ruim.

3- Viúvas são o contrário das madrastas. Sempre sentimos pena, ainda mais quando sabemos que o namorado claramente não vai conta do recado, como a canção.

4- Bons filmes são feitos também com ingredientes ruins.

5- A política não atrapalha a arte. A politicagem, sim. Pense na arca russa de Sujorov.

6- Os limoeiros na Palestina são belos.

7- Assistir a um ótimo filme tira a dor no intestino grosso. Que bruta atriz.