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sobre o pianista

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uma cortina vermelha, um terno café. Frio desgraçado, piano preto e gosto de amora na boca.

(    )

O pianista zagueia só sua mão esquerda – faz

silêncio.

toca grave – toca sombra

tristeza jeca de um

[este ouviu]

outro criado

aqui fazer silêncio em um

piano

de calda por toda madeira

da sala para 100.

dez segundos entre a última nota e (os aplausos a estragar o que restou

da música

da madeira

da sombra).

(desenho dado e dedicado a André Mehmari)

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Para a Carta Capital, e para Mino Carta: sobre as eleições de 2010 e a cobertura desta revista.

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Talvez isto seja movido pela forma como se faz política tradicionalmente. Não há como dar muitas razões a um grupo ou a um outro de forma ponderada. Na política nós temos de nos posicionar e esquecer as diferenças em prol de algo mais importante que nos una. Talvez por este motivo eu tenha enveredado na carreira acadêmica e não política – não consigo ser tão raso.

Uma revista, ou um meio de comunicação, por outro lado, apresenta uma característica sui generis: ao mesmo tempo em que  deve posicionar-se politicamente em uma eleição em prol de um partido ou outro, visto que é impossível a imparcialidade absoluta, deve também mostrar-nos uma versão equilibrada do que acontece.

Entendo que o equilíbrio de Carta Capital está se perdendo. A maioria das matérias é por demasia tendenciosa politicamente, e acho que isto se deve a uma confusão entre a polarização observada na luta política e a respeito do papel da imprensa. Digo isto na qualidade de assinante por quatro anos e leitor de banca há uns três anos, o que, se não é mérito algum, possibilita que eu fale sabendo um pouco da história da revista.

Veja: com estas ponderações não digo que votarei em Serra. Ainda não me decidi, pois nem temos todos os pré-candidatos enfileirados. Não estou falando disso.

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Erros cometidos por Carta Capital até o momento (final de abril).

1 – Achar que os jornalões estão contra Dilma assim como estavam contra Lula em 1989.

Não é bem assim. Claro que o candidato dos jornais e televisões é Serra, mas vocês parecem esquecer do gosto de alguns veículos em estar perto do poder (nas mãos do PT), a fim de se beneficiar com somas, por exemplo, do BNDES. O fisiologismo e o coronelismo são marcas da formação política do Brasil ainda muito presentes.

2 – Achar que o PT é de esquerda, e supor que o PT e o PSDB são partidos tão diferentes no espectro eleitoral.

Pelo menos a parcela do partido dos trabalhadores que está no poder atualmente não pode ser enquadrada como esquerda – talvez, no máximo, como centro, se é que isto existe. Nesta parte, o Plínio de Arruda Sampaio, na entrevista à própria Carta, está mais que correto.

3 – Achar que o discurso do medo é exclusividade da Direita.

O medo da mudança é o que Dilma e o PT defendem. Vejam só como é a história: o partido dos trabalhadores é o atual partido do continuísmo, do “tudo está bem”, do “não precisamos mudar”, do “Brasil tem que seguir neste rumo”, do “se mudar estraga, será uma hecatombe”. Como os tucanos da década de 1990.

4 – Achar que Dilma não é um poste de Lula.

Dilma não tem a história dentro do partido dos trabalhadores e não tem história enquanto personagem público para assumir a presidência do Brasil. Embora Lula não tivesse ocupado nenhum cargo executivo antes da eleição de 2002, conhecíamos bem Lula por militar há décadas no Brasil. Dilma pode ter méritos, mas é uma grande incógnita: surgiu para nós há quantos anos? 5 anos, talvez, substituindo o José Dirceu. E outra: não precisamos de um gerentão.