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Arquivo da tag: eleições

a eleição é uma festa

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Vinha no meu carro, nos meus 40 minutos diários de purgatório auditivo, e era horário eleitoral gratuito (7 da matina).

Jurava que era uma festa. Com exceção do PCO, PSTU e PCB, os canditados se apresentavam com musiquinhas ridículas e falavam ao meu ouvido como se fosse uma criança, como super heróis que vieram para combater o mal.

Até entendo alguns, com exíguos segundos para falar, e que não podem fazer outra coisa senão:

“Sou Dr. Januário. Você que é artista e jovem, vote em mim”

ou

“Pela saúde, Dr. Januário 0980983”.

Mas tem uns que não dá pra suportar:

“Yuhhhuuu! Tá chegando a hora! Sou um apresentador de TV canastrão que só sabe fazer gincana. Por isso, vote no meu filho …”

ou

“OOiiiiiii galera! Sou um repórter de TV canastrão, e preciso do seu voto pra ser mais canastrão ainda em Brasília”

Sem contar aqueles que nada dizem, apenas pedem voto pro chefe:

“Sou Dr. Januário. Estou com Fulano, grande homem, grande pai e canditato a Führer de nosso país. Vote nele”.

ou pior:

“Olá, você já me conhece. Farei a mesma coisa que Cicrano fez. Quem me ensinou foi Mussolini”.

Há também os postes:

“Eu fui ministro de Sicrano, que mudou o país. Como ele não pode mais se candidatar, e como eu não tenho história pública, acabei de me filiar a este partido e ajo como um poodle treinado, vote em mim pensando nele, como você faz com sua mulher, com quem você transa pensando na Pamela Anderson”.

E tome musiquinha.

E  mais musiquinha.

O Tiririca pelo menos admite que é palhaço.

Pensando melhor, se for uma festa, tá mais pra Bacanal, orgia e putaria. Imaginem aqueles bigodudos dótôres de direito a se beijar e rolar pelos estúdios, produzindo dúzias de novos politicozinhos, tudo ao som da cavalgada das Valquírias.

Aos autoritarismos

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É uma das únicas facetas do nosso estado que dificilmente se nega: o GGoverno GG é autoritário – vide as medidas provisórias e esta candidata biônica – e a imprensa também – vide a seletividade (aliás, obrigatória) dos gatekeepers nestas eleições, que não falam do Plínio e nem de si própria.

Ora, vou ser autoritário também. Vou votar no Estadão para governador e na Veja pra presidenta do Brasil. Pra senador voto na Carta Capital. Pra deputado, voto na Caros amigos.

sobre tiririca e levy fidelix

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Ano de eleição.

Nas reuniões do PT que frequentei há muito (mas muito) tempo era o partido em geral favorável ao voto obrigatório. Assim também pensava um professor meu, que tinha acabado de escrever um livro pequeno sobre reforma política junto com o José Dirceu.

A obrigatoriedade, absurda nesta visão, é juntamente com a bianualidade traços de nosso sistema eleitoral.

Aliás, eleição no Brasil é feito lavoura café: dá na árvore de dois em dois anos.

*

Escolhi Levi Fidelix e Tiririca por um simples motivo: são personagens importantes de nossa política, e podem revelar muito mais coisa do que a análise de nosso novo PRI, o PT e o PMDB (concordo aqui com o risco apresentado ontem pelo estadão – com a ressalva que o PRI no Brasil já tem 485 anos).

Em toda eleição há um palhaço. E em toda eleição aparece um político com idéias mirabolantes que irão resolver todos os males do povo, como era o emplasto de Brás Cubas.

O Enéas não era nem um pouco bobo, muito pelo contrário, mas o que catapultou sua eleição e seu reconhecimento foi, em tempos de indústria cultural, sua Imagem.

Achar que o povo brasileiro é besta é ranço iluminista. Achar que brasileiro não sabe votar porquê não tem educação é elitismo precipitado pelo sonrisal da taça de Descartes.

Assim, tentando subtrair alguns preconceitos óbvios, por que motivos o povo elege ano após ano palhaços? Este é o caso de Tiririca.

Por quê ideias de professor Pardal impregnam tanto no imaginário da população? Por quê dar atenção a isto?

Diria que solucionar estas duas questões apaziguaria minha momentânea inquetação. De qualquer forma, acho que falta aos candidatos a colocação de seus respectivos paus sobre as mesas, como foi no debate de 1990.

Nisto o Plínio de Arruda Sampaio está certo: para os presidenciáveis (e demais candidatos aos outros cargos) o bem deve ser feito e o mal evitado.

E só.

Para a Carta Capital, e para Mino Carta: sobre as eleições de 2010 e a cobertura desta revista.

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Talvez isto seja movido pela forma como se faz política tradicionalmente. Não há como dar muitas razões a um grupo ou a um outro de forma ponderada. Na política nós temos de nos posicionar e esquecer as diferenças em prol de algo mais importante que nos una. Talvez por este motivo eu tenha enveredado na carreira acadêmica e não política – não consigo ser tão raso.

Uma revista, ou um meio de comunicação, por outro lado, apresenta uma característica sui generis: ao mesmo tempo em que  deve posicionar-se politicamente em uma eleição em prol de um partido ou outro, visto que é impossível a imparcialidade absoluta, deve também mostrar-nos uma versão equilibrada do que acontece.

Entendo que o equilíbrio de Carta Capital está se perdendo. A maioria das matérias é por demasia tendenciosa politicamente, e acho que isto se deve a uma confusão entre a polarização observada na luta política e a respeito do papel da imprensa. Digo isto na qualidade de assinante por quatro anos e leitor de banca há uns três anos, o que, se não é mérito algum, possibilita que eu fale sabendo um pouco da história da revista.

Veja: com estas ponderações não digo que votarei em Serra. Ainda não me decidi, pois nem temos todos os pré-candidatos enfileirados. Não estou falando disso.

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Erros cometidos por Carta Capital até o momento (final de abril).

1 – Achar que os jornalões estão contra Dilma assim como estavam contra Lula em 1989.

Não é bem assim. Claro que o candidato dos jornais e televisões é Serra, mas vocês parecem esquecer do gosto de alguns veículos em estar perto do poder (nas mãos do PT), a fim de se beneficiar com somas, por exemplo, do BNDES. O fisiologismo e o coronelismo são marcas da formação política do Brasil ainda muito presentes.

2 – Achar que o PT é de esquerda, e supor que o PT e o PSDB são partidos tão diferentes no espectro eleitoral.

Pelo menos a parcela do partido dos trabalhadores que está no poder atualmente não pode ser enquadrada como esquerda – talvez, no máximo, como centro, se é que isto existe. Nesta parte, o Plínio de Arruda Sampaio, na entrevista à própria Carta, está mais que correto.

3 – Achar que o discurso do medo é exclusividade da Direita.

O medo da mudança é o que Dilma e o PT defendem. Vejam só como é a história: o partido dos trabalhadores é o atual partido do continuísmo, do “tudo está bem”, do “não precisamos mudar”, do “Brasil tem que seguir neste rumo”, do “se mudar estraga, será uma hecatombe”. Como os tucanos da década de 1990.

4 – Achar que Dilma não é um poste de Lula.

Dilma não tem a história dentro do partido dos trabalhadores e não tem história enquanto personagem público para assumir a presidência do Brasil. Embora Lula não tivesse ocupado nenhum cargo executivo antes da eleição de 2002, conhecíamos bem Lula por militar há décadas no Brasil. Dilma pode ter méritos, mas é uma grande incógnita: surgiu para nós há quantos anos? 5 anos, talvez, substituindo o José Dirceu. E outra: não precisamos de um gerentão.