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sobre a liberdade e os funkeiros presos

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Não, não sei o que é liberdade. Talvez a pergunta “o que é liberdade” esteja mal colocada. Não existe “a” liberdade, assim como não existe “a” justiça.

 

De qualquer maneira, observo que a liberdade de expressão é garantida pela constituição nacional. Liberdade de expressão não é expressão comezinha, da boca pra fora. Liberdade eu entendo como a possibilidade de falar e fazer o que quiser. O que quiser mesmo.

 

Veja, o Código Penal restringe a liberdade? Não. O Código Penal não diz: não matarás. Diz: Se cometer homicídio, será punido. É bem diferente – qualquer um pode cometer homicídio.

 

Na liberdade de expressão a coisa fica mais grave ainda, e uma lei de 1940 que tipificou a apologia ao crime como crime deve ser minimamente filtrada pela Constituição de 1988, sem falar no pacto de San José da Costa Rica.

 

Ninguém poderia defender a legalização do comércio de drogas? Até onde eu sei, há um governador fazendo isto neste instante, e não deve nem será punido, com razão.

Deixem os funkeiros cantarem a realidade. Quer o quê? Tapar o sol com a peneira? Fazer com que os artistas cantem apenas o vaso chinês? Ou que apenas se vendam às multinacionais?

Dizer que o convívio com traficantes, homicidas e estelionatários seja algo desprezível na favela é brincadeira. Querer obrigar que todos concordem com as leis e o governo (!) do país na favela é brincadeira – e isto não quer dizer, nem de longe, que não ache que os traficantes devem ser punidos.

 

Não há tipo penal algum quando se canta ou se prosa SOBRE um crime. Do contrário, teríamos de prender Dostoyevsky que, se não me engano, foi realmente preso – e acho que não me engano.

 

O que acontece hoje no Rio de Janeiro é uma vergonha para o país. A penalização de artistas equivale à queima de livros, ao index canônico.

Taí! Que façam um novo index para elencar sobre o que se pode e sobre o que não se pode cantar.

 

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