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sobre fausto

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O que me atraiu em Fausto, penso hoje, o que me fez ler até o final o livro que mudou completamente minha maneira de o mundo ser escrito, foi seu começo.

A aposta com o diabo, o Pferdefuß, é das coisas mais bem escritas que já li. É realmente maravilhoso: aposta com o diabo que jamais estará satisfeito.

Diabo

E você já sabe quem “vence” no final, não é?

É uma angústia. Não sei se é a angústia de todos, se faz parte da angústia moderna. De minha parte, não estou nunca satisfeito. Estou sempre, portanto, angustiado.

Apostaria para ver que nunca estarei satisfeito. Não existe diabo, e não existe pacto nenhum.

Tenho, no entanto, já 29 e não fiz dez por cento do que gostaria. O jeito é me entregar a Liszt e engolir minha médio-cridade. Mas não consigo, apesar de minha psicóloga antiga ter dito para me resignar.

O duelo de Fausto é esse: uma batalha discursiva sobre a resignação. Nem Helena deu jeito.

(Ontem Cortázar me disse que enviaria uma garrafa ao mar.

é mais ou menos por aí. As mensagens desta vida vêm de modo bastante lento, no marulho. E quando chegam, dificilmente se vê que chegaram em função da garrafa de vidro.)