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Arquivo da tag: carta capital

sobre ler com letras pequenas

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Como já disse aqui, sou leitor assíduo de jornais com café e queijo pela manhã. Este vício vem de algumas gerações, quando o estadão chegava aqui com uma semana de atraso. Como se vê, se não é um péssimo hábito por si só, o é pela baixíssima qualidade dos periódicos brasileiros, e aqui incluo a Carta Capital, que no meu modo de ver caiu de qualidade nos últimos anos – seria a Carta a Veja da esquerda? Bem, acho que não é pra tanto, mas de qualquer forma não é tudo aquilo, não.

O que eu iria falar é que voltei a assinar a “The Economist”. Este negócio de Internet não é mesmo para mim, apesar dos benefícios. Meu ramo é o do papel, do cheiro de tinta, poeira e traças, da possibilidade de se rabiscar (como são rabiscados meus livros) e de se perder um documento pelo fogo – e esta é a diferença maior entre a tela de LCD e um papel: o incêndio.

Mas o que eu iria falar mesmo é que voltei a assinar a “The Economist“.

A primeira chegou esta semana, e o que mais me chamou atenção – fora o conteúdo, claro – foram as letras pequenas e a reduzida quantidade de comerciais. É impressionante como eu estava acostumado a letras garrafais nas manchetes, a fotos coloridas e a textos com lides e olhos burocraticamente feitos, curtos e finos.

A revista traz textos que começam em uma página e terminam na outra, e abrange praticamente todos os assuntos – de geeks (veja o software freedom) à favela carioca “cidade de deus” (“um momento mágico para a city of god”), passando pelo socialismo venezuelano (“how to destroy an industry”) e aviões elétricos.

Obviamente, não estou fascinado pela revista, mas é bom ler o que os manos lá de baixo falam sobre nós e sobre eles – digamos que é mais uma informação.

Mas a qualidade, como às vezes – às vezes – se encontra por aqui, é indiscutível, levando-se em conta ser uma revista que deve chegar toda semana e resumir um caminhão de assuntos com credibilidade.

Como não manjo tanto do inglês leio de forma muito mais lenta os artigos, o que de certa forma é bom na medida em que treino esta língua (que porra é “nip and tuck?”), e tenho assunto por toda a semana dentro do meu banheirinho.

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Para a Carta Capital, e para Mino Carta: sobre as eleições de 2010 e a cobertura desta revista.

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Talvez isto seja movido pela forma como se faz política tradicionalmente. Não há como dar muitas razões a um grupo ou a um outro de forma ponderada. Na política nós temos de nos posicionar e esquecer as diferenças em prol de algo mais importante que nos una. Talvez por este motivo eu tenha enveredado na carreira acadêmica e não política – não consigo ser tão raso.

Uma revista, ou um meio de comunicação, por outro lado, apresenta uma característica sui generis: ao mesmo tempo em que  deve posicionar-se politicamente em uma eleição em prol de um partido ou outro, visto que é impossível a imparcialidade absoluta, deve também mostrar-nos uma versão equilibrada do que acontece.

Entendo que o equilíbrio de Carta Capital está se perdendo. A maioria das matérias é por demasia tendenciosa politicamente, e acho que isto se deve a uma confusão entre a polarização observada na luta política e a respeito do papel da imprensa. Digo isto na qualidade de assinante por quatro anos e leitor de banca há uns três anos, o que, se não é mérito algum, possibilita que eu fale sabendo um pouco da história da revista.

Veja: com estas ponderações não digo que votarei em Serra. Ainda não me decidi, pois nem temos todos os pré-candidatos enfileirados. Não estou falando disso.

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Erros cometidos por Carta Capital até o momento (final de abril).

1 – Achar que os jornalões estão contra Dilma assim como estavam contra Lula em 1989.

Não é bem assim. Claro que o candidato dos jornais e televisões é Serra, mas vocês parecem esquecer do gosto de alguns veículos em estar perto do poder (nas mãos do PT), a fim de se beneficiar com somas, por exemplo, do BNDES. O fisiologismo e o coronelismo são marcas da formação política do Brasil ainda muito presentes.

2 – Achar que o PT é de esquerda, e supor que o PT e o PSDB são partidos tão diferentes no espectro eleitoral.

Pelo menos a parcela do partido dos trabalhadores que está no poder atualmente não pode ser enquadrada como esquerda – talvez, no máximo, como centro, se é que isto existe. Nesta parte, o Plínio de Arruda Sampaio, na entrevista à própria Carta, está mais que correto.

3 – Achar que o discurso do medo é exclusividade da Direita.

O medo da mudança é o que Dilma e o PT defendem. Vejam só como é a história: o partido dos trabalhadores é o atual partido do continuísmo, do “tudo está bem”, do “não precisamos mudar”, do “Brasil tem que seguir neste rumo”, do “se mudar estraga, será uma hecatombe”. Como os tucanos da década de 1990.

4 – Achar que Dilma não é um poste de Lula.

Dilma não tem a história dentro do partido dos trabalhadores e não tem história enquanto personagem público para assumir a presidência do Brasil. Embora Lula não tivesse ocupado nenhum cargo executivo antes da eleição de 2002, conhecíamos bem Lula por militar há décadas no Brasil. Dilma pode ter méritos, mas é uma grande incógnita: surgiu para nós há quantos anos? 5 anos, talvez, substituindo o José Dirceu. E outra: não precisamos de um gerentão.