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Entre o personalismo e o projeto

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Medo? Não é esta a palavra.

O país continuará crescendo sob vários aspectos, mesmo com uma pessoa sem história no poder. Entendo que na política não precisamos de gerentes, precisamos sim de políticos, com causas políticas, motivações políticas. Querem tecnicizar a política, do PSDB ao PT. E conseguiram: veja a drupa Alckmin e Dilma.

Assim, acho que ela fará um bom governo enquanto gerente, mas isto está muito, mas muito longe de ser representativamente bastante em termos políticos para o cargo de presidente da República. Falta a ela uma causa, e se esta causa não falta ao PT, basta dizer que ela não é do PT.

Dizem-me que ganhou o projeto petista.

Ora, é claro que o projeto foi importante e sob muitos aspectos bem sucedido, mas quem ganhou mais uma vez foi o coronelismo, o culto à personalidade de um homem assombrosamente popular: Lula.

Hoje meu sentimento é de esperança. Espero que o Brasil melhore, que mais gente saia da pobreza – entendo cada vez mais que o salário é o melhor meio de distribuição de renda, pelo menos depois de o indivíduo sair da condição de miserável.

(Esta é outra questão: a nação zumbi me dizia hoje que muitos entram no banditismo por necessidade. A saída deste estado de extrema necessidade é pressuposto para olharmos para uma série de estudos de economia – e é nesta direção que ruma o Brasil.)

Mas falta ao povo uma janela para o futuro, talvez representada pela Marina.

Por fim, digo que é no mínimo curioso alguns partidários de Lula contra argumentarem comigo como se o meu fosse um “choro de perdedor”. Esta miopia apenas enfraquece a trilha política.

 

sobre a copa do mundo de 2014 no Brasil

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Não haveria nada de mais no fato de o Brasil sediar a copa do mundo em 2014. Absolutamente nada, não fosse tratar-se de Brasil e de Fifa. E, infelizmente, é o caso.

Os mais crentes diriam que basta apenas fiscalizar bem como o dinheiro será aplicado e, no mais, bastaria aproveitar a infraestrutura que seria aqui investida.

A coisa não é bem assim:

1- A FIFA fica com TODA a arrecadação referente aos ingressos da Copa. Ué, assim eu também quero. Não coloco um tostão, apenas organizo (que custa e dá trabalho, OK) e recebo TODA a renda das entradas.

2- A FIFA recebe TODA a renda auferida com a publicidade.

3- A FIFA recebe TODA a renda obtida com os direitos de transmissão.

4- A FIFA e seus “parceiros” (talvez alguém que tenha feito direito possa encontrar nome melhor em certos códigos) NÃO PAGAM IMPOSTO ao país-sede.

Por parte do “governo” brasileiro:

1- Serão gastos de R$ 30 a 60 bilhões (!) com um trem bala que ligará Campinas ao Rio, enquanto a malha ferroviária do país está capenga. Junto ao governo, entrarão na festa do dinheiro os fundos de pensão como a PREVI.

No caso do trem de alta velocidade (TAV), não haveria necessariamente um problema, não fosse:

— 1a – O trem bala ligará apenas aeroportos, ou seja, não passará pelas cidades.

— 1b – O trem bala custará uma fortuna, ou seja, será apenas para quem tem bufunfa.

— 1c – O Brasil precisaria investir em ligações ferroviárias para um país de proporções continentais, e para ligar pessoas e produção: Mato Grosso do Norte e do Sul até o pacífico e uma espécie de transnordestina. Ou, ainda, uma ligação entre Porto Alegre, passando pelo porto seco de Criciúma, pelo molhado de Itajaí e chegando a Curitiba.

— 1d – O trecho Campinas –> Rio de Janeiro já possui estradas muito boas (apesar de caras) e aeroportos. Sou a favor, repito, do transporte ferroviário, mas este trecho não é urgente: já fizeram a burrada de nos encher de estrada, agora não é hora de mudar absolutamente tudo.

— 1e – Trem bala é projeto mirabolante de uma elite que foi proposto inicialmente por .. Levi Fidelix!

— 1f – Esta palhaçada toda representada por estes bilhões será feita por ocasião de um evento de um mês.

— 1g – Nem imagino o impacto ambiental deste projeto. Aliás, nem eu nem o governo.

Acho que vou parar por aqui, já ficou grande demais a parte do trem bala. O comentário em relação à Copa de 2014 terá seguimento. Na próxima é sobre os estádios, mas é pra próxima.

ps: vi só agora este artigo sobre o trem bala. Faz sentido o que diz.

sobre a “rivalidade” com a Argentina e as cervejas

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Bem, acho que as agências de propaganda do Brasil são boas, pois são beeem criativas.

Mas não é o que se vê nas campanhas de cerveja.

Os chavões são muitos, imbecis e simplórios. Mulher gostosa, galera feliz e jovem. Esquecem-se de pessoas como eu, que abro uma na frente da tv ou do violão para confortar minha insônia. Gordo, insone, depressivo, careca e barbudo – um hor-ror-or.

Lembro-me que uma das invenções da escola funcionalista de comunicação é o conceito de “público alvo”. Eu, com certeza, não faço parte deste.

O que mais me irrita nesta copa é a insistente associação DIRETA entre cerveja, pátria e futebol.

Não quero ser chato, mas não tem absolutamente nada a ver, não existe QUALQUER relação: não há pátria de chuteiras, há jogos e competições, não há boleiro cachaceiro, há atletas, e, sobretudo, muito menos não há nação cachaceira, pois os bebedores são uma ínfima minoria.

Como é uma guerra com guerreiros (acho que esta é a campanha da Brahma) há os adversários inimigos: os argentinos.

A oposição apresentada não se limita ao futebol, locus em que há realmente uma rivalidade histórica, mas ultrapassa qualquer limite – parece que há realmente uma grande diferença entre argentinos e brasileiros, que seriam povos que se odiariam.

Também não é verdade. Somos povo vizinhos e irmãos, e quem já foi à Argentina sabe que as brincadeiras restringem-se ao futebol, a menos que haja outros imbecis ao redor – e sempre há.

Quer ver dois povos rivais? Pergunte aos chilenos sobre os bolivianos e vice-versa: aí o negócio pega.

Entre Brasil e Argentina há diferenças culturais óbvias, mas isto está longe de representar uma relação de inimizade. Longe disso. Quem já passou verões no litoral de Santa Catarina sabe que a confraternização entre brasileiros e argentinos é muito maior que qualquer picuinha ou pequeno preconceito.

Para mim trata-se apenas da invenção de inimigos em um país sem nenhum caráter.

Tubérculos do Brasil

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Meu tio me falou e não acreditei. É um exemplo claro demais do que se lê nos textos clássicos de Raymundo Faoro e Sérgio Buarque de Holanda (este blog também viu isso).

Foram condecoradas com a Grã Cruz da Ordem do Rio Branco dona Marisa Letícia, dona Mariza Gomes e Ana Maria Amorim, respectivas senhoras de Lula, o presidente, José de Alencar, o vice, e Celso Amorim, ministro das relações exteriores. Houve discursos, pompa, champagne e pó de arroz.

Lembra-me Napoleão brigando para ser nobre depois de chegar ao poder. Lembra-me como se assume o cargo pessoalmente aqui.

Se queriam homenagear as mulheres que sacrificaram suas vidas em prol de seus filhos e maridos, por que não pegaram uma destas milhões de mulheres espalhadas pelo Brasil? Por que se homenageiam as rainhas, e no final do mandato?

Lendo um pouco outros blogs (1, 2, 3), percebo um grande preconceito em relação à Marisa, geralmente comparando-a com sua antecessora Ruth Cardoso. Mas não há comparação, pois são histórias diferentes, cada história com seus méritos e perdas. Estes também são imbecis e preconceituosos, que acham que uma mulher sem estudo é pior que uma intelectual como foi Ruth. E que gostariam de ter uma Rainha perfeita que os comandasse, e não a gata borralheira (aliás, só pra lembrar: ambas não existem).

Votando a nossa vaca fria, qual a diferença entre o PT e o DEM? O que ganhou o país neste (micro)aspecto em relação aos outros 400 anos?

E, afinal de contas, o que é uma condecoração desta? Ah, assim não dá.

PS: não estou nem aí pra papel de primeira dama.