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sobre a “rivalidade” com a Argentina e as cervejas

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Bem, acho que as agências de propaganda do Brasil são boas, pois são beeem criativas.

Mas não é o que se vê nas campanhas de cerveja.

Os chavões são muitos, imbecis e simplórios. Mulher gostosa, galera feliz e jovem. Esquecem-se de pessoas como eu, que abro uma na frente da tv ou do violão para confortar minha insônia. Gordo, insone, depressivo, careca e barbudo – um hor-ror-or.

Lembro-me que uma das invenções da escola funcionalista de comunicação é o conceito de “público alvo”. Eu, com certeza, não faço parte deste.

O que mais me irrita nesta copa é a insistente associação DIRETA entre cerveja, pátria e futebol.

Não quero ser chato, mas não tem absolutamente nada a ver, não existe QUALQUER relação: não há pátria de chuteiras, há jogos e competições, não há boleiro cachaceiro, há atletas, e, sobretudo, muito menos não há nação cachaceira, pois os bebedores são uma ínfima minoria.

Como é uma guerra com guerreiros (acho que esta é a campanha da Brahma) há os adversários inimigos: os argentinos.

A oposição apresentada não se limita ao futebol, locus em que há realmente uma rivalidade histórica, mas ultrapassa qualquer limite – parece que há realmente uma grande diferença entre argentinos e brasileiros, que seriam povos que se odiariam.

Também não é verdade. Somos povo vizinhos e irmãos, e quem já foi à Argentina sabe que as brincadeiras restringem-se ao futebol, a menos que haja outros imbecis ao redor – e sempre há.

Quer ver dois povos rivais? Pergunte aos chilenos sobre os bolivianos e vice-versa: aí o negócio pega.

Entre Brasil e Argentina há diferenças culturais óbvias, mas isto está longe de representar uma relação de inimizade. Longe disso. Quem já passou verões no litoral de Santa Catarina sabe que a confraternização entre brasileiros e argentinos é muito maior que qualquer picuinha ou pequeno preconceito.

Para mim trata-se apenas da invenção de inimigos em um país sem nenhum caráter.

Sobre José Serra e o Mercosul

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O Mercosul seria mesmo”uma farsa, exceto quando de trata de impor barreiras“, como disse o Serra em palestra na Federação de Indústrias de Minas Gerais (Fiemg)?

Serra é, no mínimo, ingênuo ao acreditar que sem a formação de blocos econômicos capazes de fazer frente ao poderio de outras partes do mundo é possível a países como Brasil e Argentina crescer de maneira sólida. Leia a notícia aqui.

O Clarin critica a posição serrista, como não poderia ser diferente. O La Nación comenta o impasse do Mercosul, possivelmente abrindo-se para a Europa. O Página 12, que sempre considerei mais à esquerda, enfatiza a resposta argentina. Não vi nada no paraguaio última hora, nem nos uruguaios La Republica ou El País, tavez por que nestes países não houve resposta oficial o que, diga-se, não quer dizer que não saibam as autoridades.

A reação argentina veio a galope, e espero que o Mercosul, que precisa ser reestruturado, não morra com Serra, que também não é o nome ideal para nossa presidência. A Argentina, contudo, já tomou posições também claramente contrárias ao Mercosul – digo isto apenas para não achar que são santinhos.

Há que se fazer, na ótica estritamente comercial, mais tratados com outros blocos, é verdade, mas qualificar de farsa não dá. O El País espanhol, ao comentar o affair entre Mercosul e União Européia, veja você, diz que o bloco não é mais utopia coisa nenhuma.

Desculpem-me o excesso de links. Faltou, por parte de todos, a discussão sobre o livre trânsito de pessoas  – quem já entrou na Argentina com apenas o RG sabe o que eu falo; mas quem teve que carregar um monte de papeizinhos pelo Paraguai afora também sabe que a coisa ainda não está tão lapidada.