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Arquivo da tag: alemão

ainda sobre línguas

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Percebo que o tema da reforma ortográfica de nossa língua, bem como nossa relação com os portugueses é algo que interessa muito.

Devo dizer que também estava bem empolgado quando discuti com alguns portugueses via net.

Foi dito pela Potira em um comentário sobre uma identidade perdida com mudanças, já que a língua é quem a reúne. Eu concordo, e Flusser também concordaria.

O interessante em se estudar um idioma, qualquer um, é notar estas diferenças entre culturas que são plasmadas pela língua – lembro que em uma viagem um certo Danilo Havana disse que não há um dia sequer em que não falamos sobre a língua quando em um país estrangeiro. É vero.

Isto se dá também entre gerações.

Meu prof de alemão disse, por exemplo, que chegam da Alemanha dizendo “Ich habe viele Freunde gemacht”, literalmente “Eu fiz muitos amigos”, como também existe no português.  É, contudo, aos seus ouvidos, um anglicismo que destrói toda a língua alemã (!) – remete a “I made friends”.

Só que como ele foi criado o certo em se falar seria algo como “Ich habe mit ihm eine  Freundshaft geshlossen”. Aqui a tradução se complica. No alemão da cabeça do meu professor, é algo como “Eu fechei (selei) uma amizade com ele”, no sentido de que não se FAZ amigos, mas se constrói e se costura e se fecha (sic) uma amizade. Fazer é coisa para calçados. Amigos são raros.

Sua filha que lá mora diz: ah, papai, ninguém mais fala assim.

Pois é. Mas para meu professor a influência da língua inglesa fez com que se perdesse uma identidade fundamental de sua língua. E sem reforma nenhuma de cima para baixo.

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sobre a reforma ortográfica

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O título do post de ontem foi “sobre notícias que vem do céu”.

Sabia que deveria acentuar o vêm em função da concordância de número. Não coloquei de propósito e achei que dessa maneira estaria de acordo com a nova ortografia da língua portuguesa.

Quando reli o post hoje achei estranho demais – não estava conformado com aquela coisa feia no blog, mesmo que estivesse correto.

E dancei mesmo: vêm e vem ficaram inalterados, como tem e têm.

Os portugueses pelo que andei vendo em blogs por aí estão mais bravos que os brasileiros em geral com a nova ortografia – até bati boca com uns portugueses em função disto: para alguns o português de Portugal seria mais “evoluído” que o das Américas, e nós agora estaríamos “impondo” nossa forma de escrever.

Isto revela, contudo, que são e estão (traduza isto para o inglês) mais preocupados e em contato com a língua com nós.

Eu, de minha parte, odeio a reforma, até por que “estou a escrever” uma peça grande e tenho que grafar “consequência” em vez de “conseqüência”. Fica muito feio.

Mas o melhor, já que vai ser feita uma droga de revisão, é que todos concordem. Na reforma da língua alemã (a de maior número de falantes na Europa), por exemplo, a Áustria excluiu completamente a letra ß por ss e, assim, escreve o austríaco “der Fuss” e o alemão “der Fuß” (o pé). Fica esquisito demais.

A música acima é uma homenagem a Portugal: este é nosso português.