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sobre a necessidade de se falar da copa

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o presidente e o governador

É uma mais que uma questão momentânea a copa do mundo no Brasil.

Entendo que nosso país lutou e muito para chegar onde está (ok, não está lá muito bem). Mesmo que ainda haja caciques, miséria, desigualdade e etc., não vejo como negar que a democracia é no atual estágio de desenvolvimento de nosso país uma ótima opção.

E daí? Daí que as instituições de um país apenas podem ser conhecidas nos momentos graves, ou seja, nas horas em que são postas à prova.

Não se trata de uma moral, como a que suporia que devemos todos rumar à honestidade. Não existe “a” Moral, como dizia nosso mestre austríaco. Trata-se de direito. Direito, desculpem-me os carolas, os padres e alguns bem intencionados defensores dos “direitos humanos”, não é e nem pode se confundir com a moral.

Assim, está em xeque em um momento grave de nossa história o direito. Como vão reagir nossos tribunais diante da enxurrada de absurdos em prol de duas gigantescas organizações privadas como a FIFA e o COI?

Não sei, e este é um teste. É nosso grande teste. Por enquanto, vê-se o famigerado espetáculo de beija-mãos entre poderosos, inclusive com a inversão de papéis. Não me importam, agora, mais os políticos. Quero é ver como será o poder contra-fáctico dio direito.

O direito nunca me desapontou porquê nos momentos graves geralmente espero que este haja de forma diferente da que eu agiria – claro, é uma metáfora, pois o direito não existe. Em outras palavras, não pode desapontar algo do qual nada se espera.

Espero, então, ser surpreendido. Que sejamos sólidos. É momento chave de nossa democracia de 23 anos visto por alguém que nasceu na ditadura.

sobre a secretaria da fazenda em ribeirão

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Bem, nas minhas aventuras por entre fóruns, escritórios, matas e fazendas, uma das coisas mais absurdas que conheço é a Secretaria da Fazenda de São Paulo em Ribeirão Preto.

Localização? Av Pres Kennedy, 1550 – Ribeirânia, perto do novo shopping.

A localização não é ruim, embora pudesse ser melhor. É uma zona movimentada em Ribeirão.

O problema é chegar até a secretaria para falar com os atendentes sobre ICMS, ITCMD e etc. Veja:

Secretaria estadual da Fazenda

O ônibus para bem longe. Se você estiver de carro, que é meu caso, aí o caldo engrossa e entorta de vez.

Na avenida não há lugar para parar, em nenhum dos lados. Paro o carro numa ruazinha afastada.

A faixa de pedestre mais próxima está a três quilômetros. E do outro lado da avenida não tem como passar.

A pessoa, como eu, de camisa e cheio de documentos muito importantes (notificações e guias de impostos, inventários, contratos sociais e etc.), tem de correr por duas faixas de uma das avenidas mais movimentadas de Ribeirão, correndo SÉRIO risco de atropelamento.

Veja: eu não faço distinção entre o governo municipal, estadual ou federal. Na minha visão, trata-se do estado, e as subdivisões são administrativas.

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Este estado mostra sua delinqüência:

1- Não oferece meios de chegar até uma importante repartição pública. 2- Obriga, ao mesmo tempo, você ir a esta repartição. 3- Obriga você a colocar sua vida em risco – e em risco colossal. 4 – Tudo isso pra cobrar imposto de você, muitas das vezes um imposto mal lançado.

Passo por esta via-crucis toda semana. Que fique registrado que acho o estado no Brasil uma porcaria.

Entre o personalismo e o projeto

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Medo? Não é esta a palavra.

O país continuará crescendo sob vários aspectos, mesmo com uma pessoa sem história no poder. Entendo que na política não precisamos de gerentes, precisamos sim de políticos, com causas políticas, motivações políticas. Querem tecnicizar a política, do PSDB ao PT. E conseguiram: veja a drupa Alckmin e Dilma.

Assim, acho que ela fará um bom governo enquanto gerente, mas isto está muito, mas muito longe de ser representativamente bastante em termos políticos para o cargo de presidente da República. Falta a ela uma causa, e se esta causa não falta ao PT, basta dizer que ela não é do PT.

Dizem-me que ganhou o projeto petista.

Ora, é claro que o projeto foi importante e sob muitos aspectos bem sucedido, mas quem ganhou mais uma vez foi o coronelismo, o culto à personalidade de um homem assombrosamente popular: Lula.

Hoje meu sentimento é de esperança. Espero que o Brasil melhore, que mais gente saia da pobreza – entendo cada vez mais que o salário é o melhor meio de distribuição de renda, pelo menos depois de o indivíduo sair da condição de miserável.

(Esta é outra questão: a nação zumbi me dizia hoje que muitos entram no banditismo por necessidade. A saída deste estado de extrema necessidade é pressuposto para olharmos para uma série de estudos de economia – e é nesta direção que ruma o Brasil.)

Mas falta ao povo uma janela para o futuro, talvez representada pela Marina.

Por fim, digo que é no mínimo curioso alguns partidários de Lula contra argumentarem comigo como se o meu fosse um “choro de perdedor”. Esta miopia apenas enfraquece a trilha política.