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Arquivo da categoria: vidão

sobre fausto

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O que me atraiu em Fausto, penso hoje, o que me fez ler até o final o livro que mudou completamente minha maneira de o mundo ser escrito, foi seu começo.

A aposta com o diabo, o Pferdefuß, é das coisas mais bem escritas que já li. É realmente maravilhoso: aposta com o diabo que jamais estará satisfeito.

Diabo

E você já sabe quem “vence” no final, não é?

É uma angústia. Não sei se é a angústia de todos, se faz parte da angústia moderna. De minha parte, não estou nunca satisfeito. Estou sempre, portanto, angustiado.

Apostaria para ver que nunca estarei satisfeito. Não existe diabo, e não existe pacto nenhum.

Tenho, no entanto, já 29 e não fiz dez por cento do que gostaria. O jeito é me entregar a Liszt e engolir minha médio-cridade. Mas não consigo, apesar de minha psicóloga antiga ter dito para me resignar.

O duelo de Fausto é esse: uma batalha discursiva sobre a resignação. Nem Helena deu jeito.

(Ontem Cortázar me disse que enviaria uma garrafa ao mar.

é mais ou menos por aí. As mensagens desta vida vêm de modo bastante lento, no marulho. E quando chegam, dificilmente se vê que chegaram em função da garrafa de vidro.)

sobre fazer greve

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Verdade?

En Barbacoas: huelga sexual femenina contra abandono oficial

Por: Arturo Prado Lima

Huelga de piernas cruzadas, así han denominado unas 300 mujeres de este municipio nariñense su determinación de no tener relaciones sexuales con sus esposos o compañeros hasta que empiecen la construcción y pavimentación de la vía Junín – Barbacoas. 

Así lo informa Diario del Sur, el informativo regional. Los hombres han sido los primeros en responder al reto: se plantaran en el parque central con una huelga de hambre.

Agrega la información que el viaducto, de unos 50 kilómetros, es intransitable y que su recorrido en vehículo se hace en más de 10 horas.

Barbacoas es una de esas regiones azotadas desde siempre por todos los males posibles. Desastres naturales, corrupción administrativa y violencia política encarnizada hacen parte de su historial. En los últimos años los grupos armados, privados, oficiales, paramilitares y delincuenciales se disputan este territorio y su principal vía flivial del río Telembí.

Hace algunos años, uno de sus alcaldes, registró en el presupuesto municipal un rubro gordo, no recuerdo cuanto, para alimentar a las palomas y otro para comprar ataúdes. Pero en Barbacoas no hay palomas y ese año no había muerto nadie. Es solo un ejemplo.

Otro alcalde nunca pagó a los empleados de su administración. Así que, al final de ella, los empleados se llevaron las máquinas de escribir, las mesas, las sillas, las puertas y las ventanas. Decían sus habitantes que el burgomaestre se burlaba de la gente bañándose con Whisky a orillas del Telembí.

Hace otros tantos años, las guerrillas de izquierda desalojaron a la policía después de destruir sus cuarteles con la misma violencia y la misma determinación con la que las autoridades recuperaron el control militar de la zona, recurriendo, eso sí, no solo a las reglas legales sino a las prácticas paramilitares que sembraron el terror en toda la región del Pacífico colombiano. También la naturaleza ha castigado sin piedad a Barbacoas: el río Telembí se ha desbordado muchas veces y la ha dejado bajo las aguas.

Barbacoas es prácticamente la muestra de cómo ciertas zonas de Colombia se van africanizando poco a poco. Su miseria y abandono conmueven. Han sido múltiples sus protestas, sus gritos, sus pretensiones. Su única vía de acceso y salida es un camino de herradura que, cuando se ha pretendido dar una solución, como siempre, se ha visto truncada por todos los excesos imaginables.

Hace poco, este mismo diario daba cuenta de la determinación de los barbacoanos de iniciar una huelga para impedir la instalación de una base militar en su territorio. A esta hora no tengo información de si se hizo o no la huelga, pero presiento que la base militar ya está instalada.

Así que esta es una nueva forma de protesta pacífica, para llamar la atención de la indignidad y la miseria, dicen sus organizadores, Marisol Silva y Diego Enríquez, quienes explican que el hecho de abstenerse de un placer físico como el sexo, es una forma de protestar por los derechos más elementales de la población, pues la situación de indignidad y abandono ha hecho que el fútbol, la danza y el sexo sean las principales expresiones culturales de la región, dice la información de Diario del Sur.

Día a día, más y más mujeres se colocan el brazalete con la frase “Yo amo a Barbacoas”, que las identifica como activistas del movimiento de “piernas cruzadas”. Los hombres se preguntaran, seguramente, cuanto tiempo tardará el gobierno regional y nacional en solucionarles sus miserias materiales, y ahora también las culturales. La abstención sexual y el hambre entran de lleno a la lucha por la redención de los pueblos.

A ver que hacen las autoridades. En todo caso, la región solicita solidaridad con este movimiento. Su divulgación nacional y e internacional es importante.

Por: Arturo Prado Lima/
http://www.elespectador.com/noticias/soyperiodista/articulo-279795-barbacoas-huelga-sexual-femenina-contra-abandono-oficial

Quem come quem?

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quem come?

A língua portuguesa é gentil com o verbo “comer”.

O sentido não é apenas o da alimentação de homens e animais – há línguas em que em relação aos animais não se usa o mesmo verbo que o dos humanos quando aqueles “comem”.

O desgaste de uma barra de metal é sinal que está “comida” – “uma lima come o ferro”; transar é “comer” —- embora neste caso não dê para saber quem come quem, apesar do uso machista do termo – poderia se sugerir uma alusão menos física e mais lúdica: em uma transa, quem possui o outro o come: “I once had a girl, or should I say, she once had me”.

Quando se gasta em excesso, “come-se” o dinheiro; “come-se” o tempo: “comi cada segundo de minha vida”.

A seca, por seu turno, pôde “comer” todos as pessoas em 1915.

Há também o sentido de experimentar: “desse fruto não como”, me diz o Houaiss.

Em um jogo, come-se o peão e a rainha.

Nos jogos do Palmeiras, a incompetência come solta.

(E na foto acima, acredite, quem come é a larva e não o anfíbio): http://www.wired.com/wiredscience/2011/09/epomis-beetle-amphibians

quotiano

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sete acordo com gritos das crianças. o grande vem dormir no colchão com a pequena, a acorda todo santo dia.

A pequena chora, e saio do sofá que dormia desesperado achando que aconteceu algo. mulher.

Beijo em todos.

papelada bagunçada para carro. macbook quebrado de novo.

Carro, sem café ou queijo ou jornal.

sigur rós, golden slumbers, going to california. tudo no repeat.

Setenta quilômetros: pista dupla, caminhões de cana, pista simples, curvas, caminhões de cana, rio, buraco, trevo, córrego, curva da morte, subidona, caminhões de cana. paralelepípedos.

destino: abre portão, fecha portão. abre portãozinho, cumprimenta cachorras, fecha portãozinho.

oi às moças que estão limpando e conversando. Fantástico e Faustão e mega-sena.

café e queijo e jornal. palmeiras na draga, europa afundando, enem preocupa os editores paulistas do Estadão.

Trabalho. Reviso trabalhos dos alunos, anoto suas faltas, planejo a próxima aula. Planejo errado. tenho que voltar do princípio. não tenho mais tempo.

Saio do recinto: praça da matriz: velhos, bêbados, barbeiro, sorveteiro, lixeiro, vereador grudento.

Escada, inventário, contas, ação de cobrança, contas, telefonemas, cálculos, pepinos de toda ordem. dívidas. meu pagamento não caiu. o telefone diz: culpa sua (?).

Saio do recinto: praça da matriz: velhos, bêbados, barbeiro, sorveteiro, lixeiro, prefeito inadjetivável.

Comida. Agora. Desesperadamente. meio dia e meia.

sobre a saudade de São Paulo

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Publico depois de cinco parágrafos um rascunho que estava entre os posts deste blog, datado de 14-04-2010.

Não sei porque comecei a escrever e parei sobre a cidade mais instigante e intrigante que conheci até hoje. Tenho hoje novamente muita saudade de São Paulo e de suas esquinas. Uma cidade em labirinto que grita, que não possui qualquer cartão postal, cheia de buquês e bares cheios, como diz a música do Criolo.

De qualquer maneira, encontrar entre anotações os mesmíssimos sentimentos que carrego ainda agora é algo que a um só tempo mostra um continuum e um ordenamento doce da trilha caótica que atravesso.

Acho que não publiquei o texto pelo elogio que faço do ambiente universitário paulistano. Não é de alta ou altíssima qualidade; em geral, é o contrário: vejo estudantes das faculdades públicas ou privadas orgulhosos ou envergonhados do que e onde estudam, achando que as estrelas que seu curso possui no guia do estudante do ano irão pautar sua vida eternamente. Daí criam rixas imbecis com outras faculdades, têm músicas, confetes, mascotes, marcas de bebidas, roupas, tênis, esportes particulares e drogas próprias que os livram do resto e garantem o reconhecimento banal entre os pares durante quatro ou cinco anos. Enquanto isso, tocam sua vida desesperadamente sem estudar muito, no que em relação ao desespero, por sinal, fazem bem.

Acreditam tão profundamente que realmente as estrelas que seu curso possui no guia do estudante do ano irão pautar sua vida eternamente.

De outro lado, vejo professores em geral buscando sobreviver com a crença de que fazem algo de bom à sociedade, quando não estão apenas de olho no saldo bancário a engordar, no caso de alguns principalmente do direito.

***

segue o rascunho inalterado.

São Paulo é um grande ponto de interrogação na minha vida. Fui pra lá com uns 19 anos, iniciei duas faculdades, larguei abruptamente duas faculdades, e voltei ao interior.

Hoje faço mestrado em São Paulo e, assim, tenho de viajar pra lá toda semana.

É uma cidade magnífica, sob muitos pontos de vista. O ambinete universitário de alta, ou mesmo de altíssima qualidade, é muito legal.

Não tem deus em são paulo, contudo.

**

São os grafites debaixo da paulista.

(fim do rascunho).

Talvez a música abaixo seja um pouco óbvia. Como li outro dia, de repente todos começaram a ouvir criolo. Ele é bom, sim, mas este movimento do rebanho em busca de escutar as mesmas coisas me chama a atenção e de certa forma me encanta. Do Rômulo Fróes, pouco ouço falar do disco novo. E como ele é bom.

sobre morrer todos os dias – Amy Winehouse

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A NORMAL DAY FOR BRIAN

(PETE TOWNSHEND)

I used to play my guitar as a kid
Wishing that I could be like him
But today I changed my mind
I decided that I don’t want to die
But it was a normal day for Brian
Rock and Roll’s that way
It was a normal day for Brian
A man who died every day.

amy winehouse alive

amy winehouse viva

Morrer todos os dias é algo normal para os seres humanos. Ora, a cada dia boa parte de nossas células se vão e outras nascem, mas o saldo é para a morte.

É a morte que dá sentido mínimo à vida. Os vampiros, os lobisomens e os outros deuses que pegavam as humanas no Gênesis não sabem o que é isso. Se houver deus, ele mesmo não sabe o que é o tempo.

Entender que estamos juntos “até que a morte nos separe” é uma das poucas coisas que ouvimos de decência em um casamento. Seremos até não sermos mais nada e, assim, somos um ser para o nada, como dizia aquele alemão.

Vale mesmo a pena o modo pelo qual vivemos, os objetivos de vida. O que faremos. Um fim de semana em casa vendo televisão é uma boa receita para tentar apagar a certeza da morte, este tabu nos tempos imediatos, em tempos em que o momento é tão vital que o correr do tempo possui muito pouca importância.

O que essa moça fez foi excelente. Sem viver desesperadamente, sem morrer muito a cada hora, ou seja, se vivesse feito uma burguesa que assiste a três novelas diárias, estaria provavelmente vivinha. Viva e mais podre que agora como todos.

O papo anti-substâncias-que-fazem-mal-ao-corpo-burguês é dos mais imbecis e conservadores, neste específico caso. Quando se gosta de alguém ou de sua arte não se separa seu corpo como se separa as peças de um motor de um carro.

O corpo de Amy é o corpo que fez “back to black” e “Frank”, e não “outra” Amy.

Seu corpo era seu: um corpo faminto, vermelho, pintado e encharcado.

sobre o pianista

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uma cortina vermelha, um terno café. Frio desgraçado, piano preto e gosto de amora na boca.

(    )

O pianista zagueia só sua mão esquerda – faz

silêncio.

toca grave – toca sombra

tristeza jeca de um

[este ouviu]

outro criado

aqui fazer silêncio em um

piano

de calda por toda madeira

da sala para 100.

dez segundos entre a última nota e (os aplausos a estragar o que restou

da música

da madeira

da sombra).

(desenho dado e dedicado a André Mehmari)