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o fim

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definir – de-finir.

 

Por um fim (pense nesta construção como “por uma cabeça” ou “por pouco”).

 

este foi meu segundo blog. coisa de depressivos e solitários.

 

micróbios alojaram-se no meu ouvido médio, na minha garganta, em meus tímpanos e em meus óculos.

Hora de orar pelo fim.

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sobre Tinariwen

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E sobre a mundialização

as cidades e os textos

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como não começar um texto acadêmico? Assim, ó, do jeito que eu faço:

“Se é possível construir-se cidades de forma desordenada ou ordenada,

 como disse Wittgenstein a respeito da linguagem como uma cidade

antiga, também é possível construir textos das mais diferentes formas; textos como São Paulo: caóticos,

 escuros, confusos, trabalhosos, noturnos, demorados,

chatos.

É possível a construção de textos como Ribeirão Preto: elitistas,

 murados,

asfaltados, alcoólicos,

 chatos.

É possível

 a construção de textos como

Brasília

:

diurnos, imóveis,

 iguais, frios e, ainda

 assim, aleatórios.”

a morte existe, ela

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terra deu, tera come algumas das mais instigantes loucuras da humanidade: mito, religião e a morte.

Se se come a comida preta por causa da morte, como me disse o cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante, se a religião existe por causa da morte, se somos para a morte, não sei.

Sei que falar sobre a morte fez do homem o poeta.

bob dylan – brasília – show

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Minha previsão era das mais pessimistas. Era uma terça.

 

Tive duas aulas durante a terça: uma de um cara que elabora cuidadosamente a aula, apresenta no powerpoint, promove um debate. Tudo a seu devido tempo. Luhmann, Teubner, Slaughter. 

A do outro, um professor que confia no seu subconsciente. Confia que vai achar mais cedo ou mais tarde uma resposta para suas preocupações. Negri, Agamben, Foucault, Nietzsche. 

Não quer dizer que um é melhor que o outro, contudo. Na primeira aula os alunos ficam menos perdidos, mas quem falou que o importante é não estar perdido?

 

Bom, mas o pessimismo não tem nada a ver com as aulas. Tem a ver com depois das aulas. 

Fico na UNB sozinho, geralmente estudando. 

Como num lugarzinho onde o lanche custa R$ 14. Em Ribeirão ou mesmo em São Paulo, custaria a metade, no mínimo.  

É a solidão brasiliense, digamos assim.

Acordar com o celular, comer um pão de queijo meia boca, estudar, comer no bandeijão, estudar, comer um lanche caro e ruim, estudar, dormir num quarto apertado, acordar, ir pro avião.

 

**

Mas ontem, 17 de abril de 2012, havia o show do Bob Dylan. Ouvi um pessoal falando que iria para frente do ginásio ver o movimento.

Quer saber? Fui também, sozinho obviamente. Peguei dois ônibus, destes ônibus-porcaria de Brasília, e fui para frente do estádio. A previsão do velho entrar era de 21.30h. Cheguei umas oito horas.

 

Para minha surpresa, não havia tanta gente. Não havia grandes filas, nem muita gente comendo lanches no entorno. Parecia que haveria um show menor, ou mesmo um jogo de vôlei.

Cambistas, claro, havia, e muitos. 

Minha intenção não era a de entrar. Era só a de não ficar sozinho no apartamento, e talvez ouvir algumas músicas.

 

Fiquei ali, no ginásio Nilson Nelson, olhando pro estádio Mané Garrincha, todo iluminado por causa da reforma absurda para a absurda copa do mundo no brasil de 2014.

 

Comi um frango na chapa. Bacon, franco, milho, chapa suja, pão esfarelento.

 

Vi a bilheteria aberta. Bilheteria aberta? No dia do show do Bob Dylan? Como assim?

 

Mandei as imobiliárias pro inferno. Se passasse cartão, iria. E, mais importante, se meu cartão passasse, entraria.

 

E não é que o cartão passou?

 

Notícias do planalto

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O brasília é um grande espaço de concreto, com muito asfalto, com ônibus caindo aos pedaços, com motoristas de gravatas que param para você atravessar a rua, com ameaças de bombas em sua faculdade, com domingo de páscoa com livros, com um quartinho minúsculo em um república, com superquadras, Imagemcom superquadras, com farmácias e chaveiros nas quadras, com bancos no meio da faculdade, com um subway no posto de gasolina, com aulas de subconsciente, textos em inglês, com um lago artificial enorme, com um aeroporto, com táxis caros, com pessoas distantes, com zebrinhas demoradas, com pessoas de gravata, transexuais, calouros, meninas, ministros, cafés no isopor, estalactites no concreto, com muitos shoppingsondeaspessoasfazemtudoassistemcomemtransamcaemmatamespirramesporramesmagamshoppingseavidanasquadras

 

Falta a vertigem de um centro. me sinto mal de achar aquela uma cidade tão bonita como um pé na orelha impetrado por uma mulher ao marido.

sobre a geral do maraca

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De Lúcio de Castro, em comentário na ESPN Brasil:

“Eu estava vendo ‘Garrincha, a alegria do povo’, [e lá havia] aquela geral do Maracanã, cheia de preto mermo … a negada lá desdentada podendo ver seu time, sua paixão. este Maracanã que a gente não vai ter mais, onde fui criado, vendo ali no meio da geral mermo, o povão podendo ver”

 

(note que a chamada da notícia do link só menciona o comentário do PVC)

Garrincha no maraca

Ora, não sou desses saudosistas que acham que o Brasil era um país melhor há 60 anos atrás.

Claro, havia menos violência, a vida cultural era ótima, e as pessoas viviam em cidades de maneira mais tranquila.

Isto, contudo, não quer dizer que aquele não era o país que privilegia uma elite opressora, como hoje. Que aquele não era o país vendido aos interesses estadunidenses, como é hoje, que não era um país cujas elites desejavam ser europeias, e cujos trabalhadores desejavam ser burgueses. Tal como hoje.

 

Bem, dito isso, é impressionante como o processo excludente no Brasil se aprofunda em várias camadas. O fim da geral no Maracanã é um símbolo. O povo hoje perde inclusive seu circo, pois o circo para ser bom deve ser branco.

É a lógica da exclusão do capitalismo, me desculpem se sôo repetitivo.

Observe, no entanto, que a exclusão é postiça: o pobre e o miserável não foram cuspidos da globalização, pois são partes fundamentais à continuação do processo. Foram cuspidos apenas dos benefícios da globalização e do capitalismo, como se observa na exclusão dos pobres da copa do mundo.

Talvez isto gere um descontentamento geral de tal grau que TALVEZ possamos mudar alguma coisa.

(por fim, fica um salve à ESPN Brasil, que diuturnamente chega o reio nos desmandos da CBF, da Fifa e da Copa )