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Arquivo da categoria: futebol

sobre a necessidade de se falar da copa

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o presidente e o governador

É uma mais que uma questão momentânea a copa do mundo no Brasil.

Entendo que nosso país lutou e muito para chegar onde está (ok, não está lá muito bem). Mesmo que ainda haja caciques, miséria, desigualdade e etc., não vejo como negar que a democracia é no atual estágio de desenvolvimento de nosso país uma ótima opção.

E daí? Daí que as instituições de um país apenas podem ser conhecidas nos momentos graves, ou seja, nas horas em que são postas à prova.

Não se trata de uma moral, como a que suporia que devemos todos rumar à honestidade. Não existe “a” Moral, como dizia nosso mestre austríaco. Trata-se de direito. Direito, desculpem-me os carolas, os padres e alguns bem intencionados defensores dos “direitos humanos”, não é e nem pode se confundir com a moral.

Assim, está em xeque em um momento grave de nossa história o direito. Como vão reagir nossos tribunais diante da enxurrada de absurdos em prol de duas gigantescas organizações privadas como a FIFA e o COI?

Não sei, e este é um teste. É nosso grande teste. Por enquanto, vê-se o famigerado espetáculo de beija-mãos entre poderosos, inclusive com a inversão de papéis. Não me importam, agora, mais os políticos. Quero é ver como será o poder contra-fáctico dio direito.

O direito nunca me desapontou porquê nos momentos graves geralmente espero que este haja de forma diferente da que eu agiria – claro, é uma metáfora, pois o direito não existe. Em outras palavras, não pode desapontar algo do qual nada se espera.

Espero, então, ser surpreendido. Que sejamos sólidos. É momento chave de nossa democracia de 23 anos visto por alguém que nasceu na ditadura.

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sobre cuspir abelhas africanas

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O tema é novamente a Copa do Mundo Fifa 2014 no Brasil.

 

Primeiramente, sempre que se fala sobre “Medida Provisória” deve ser dito que trata-se de mais uma invencionice brasileira (inspirada na Itália, ok) absurda e autoritária. Um expediente de exceção que se transformou num instrumento de despotismo (sim, temos um poder moderador).

Dito isso, é revoltante saber que o texto da MP 527 além de proporcionar às obras da Copa e da Olimpíada no Rio um “regime diferenciado” de contratações [RDC (!)] também fará com que estes gastos permaneçam sigilosos ao público. Para sempre.

A medida, se realmente aprovada, me parece inconstitucional por uns 29 ângulos diferentes.

Mas não é isto que importa aqui. Importa aqui ver como o PT que começou há algum tempo a ficar parecido com o PSDB transforma-se na ARENA cuspida e escarrada. Ou melhor, é uma ARENA intelectualizada e composta de alguns trabalhadores da grande São Paulo – uma ARENA que defende o segredo dos gastos públicos em 2011.

Deveríamos debater nestes dias medidas (como a Transparência Brasil e Contas abertas) para uma maior transparência, como é o portal da transparência do governo e como prometido por Lula. Não um sigilo vergonhoso.

Mas apenas para deixar claro: trata-se de uma medida com força de lei que beneficia empresas GIGANTESCAS do Brasil e do mundo: multinacionais que já têm dinheiro para comprar uma Ribeirão Preto e outra Fortaleza, entre prédios, vielas e almas.

Não vai beneficiar a ninguém a não ser gente muitíssimo poderosa ($$) e a própria Fifa.

O Itaquerão, a ser construído em um terreno público (!) com financiamento público pelo BNDES (!) e com recorde de isenção fiscal pela prefeitura (mais de 400 milhões de reais) (!) com uma tubulação pública da PETROBRAS embaixo é apenas uma amostra do que pretendem esconder os senhores da guerra do Brasil.

Senhores, aliás, comandados por uma senhora.

Por que não isentam de IPTU as padarias de Itaquera? Qual a diferença entre uma padaria e um estádio?

A ministra Ideli diz que críticas à falta de transparência não têm sentido. Que sem sentido é a “insegurança” de as obras não serem feitas sigilosamente.

Com licença: meu estoque de mágoas e desaforos que levo pra casa devem ser esquecidos para que eu masque um pouco das abelhas situadas ao lado de minhas cervejas.

série uma vida em frente à TV – ep. 1

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Pra começar, não tenho certeza se o acento grave está certo, mas tudo bem.

Uma vida em frente a um aparelho não é algo a ser descartado.

Começo pelos idos de 1993.

Quem era eu naquela época…. Um nadador obstinado, ganhando várias medalhas, a apenas dois anos da obesidade.

Não sei por que, mas já gostava de futebol. Via meu Palmeiras com Evair e cia. ser campeão paulista e brasileiro. Mas o mais interessante não é isso. Eram os domingos.

Acordava e pulava da cama pra ver os jogos do Italiano, o melhor torneio de futebol do mundo, disparado. Não sei por que cargas d´água também via o campeonato alemão, desde então o pior do mundo.

Torcia para o Inter de Milão ou para o Borussia Dortmund – um time médio, se tanto. Apenas gostava das cores, e entendia menos de futebol que hoje.

Adorava a rotina dos domingos.

Vidinha inútil. Também assistia ao Ayrton Senna.

Comia macarrão no quarto dos meus avós e via os jogos.

Mais tarde, ia tomar sauna com meu avô, momento em que bebia coca-cola e comia pipoca (jogava esta dentro do copo de coca-cola) – nesta hora via o time fantástico do Palmeiras.

 

Pode ser que não fosse aos domingos, não sei. Pode ser que meu time não tenha sido campeão, nem o Senna morrido. Pode ser que ainda esteja vendo aquela mesma TV todos os domingos.

 

 

sobre a copa do mundo de 2014 no Brasil

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Não haveria nada de mais no fato de o Brasil sediar a copa do mundo em 2014. Absolutamente nada, não fosse tratar-se de Brasil e de Fifa. E, infelizmente, é o caso.

Os mais crentes diriam que basta apenas fiscalizar bem como o dinheiro será aplicado e, no mais, bastaria aproveitar a infraestrutura que seria aqui investida.

A coisa não é bem assim:

1- A FIFA fica com TODA a arrecadação referente aos ingressos da Copa. Ué, assim eu também quero. Não coloco um tostão, apenas organizo (que custa e dá trabalho, OK) e recebo TODA a renda das entradas.

2- A FIFA recebe TODA a renda auferida com a publicidade.

3- A FIFA recebe TODA a renda obtida com os direitos de transmissão.

4- A FIFA e seus “parceiros” (talvez alguém que tenha feito direito possa encontrar nome melhor em certos códigos) NÃO PAGAM IMPOSTO ao país-sede.

Por parte do “governo” brasileiro:

1- Serão gastos de R$ 30 a 60 bilhões (!) com um trem bala que ligará Campinas ao Rio, enquanto a malha ferroviária do país está capenga. Junto ao governo, entrarão na festa do dinheiro os fundos de pensão como a PREVI.

No caso do trem de alta velocidade (TAV), não haveria necessariamente um problema, não fosse:

— 1a – O trem bala ligará apenas aeroportos, ou seja, não passará pelas cidades.

— 1b – O trem bala custará uma fortuna, ou seja, será apenas para quem tem bufunfa.

— 1c – O Brasil precisaria investir em ligações ferroviárias para um país de proporções continentais, e para ligar pessoas e produção: Mato Grosso do Norte e do Sul até o pacífico e uma espécie de transnordestina. Ou, ainda, uma ligação entre Porto Alegre, passando pelo porto seco de Criciúma, pelo molhado de Itajaí e chegando a Curitiba.

— 1d – O trecho Campinas –> Rio de Janeiro já possui estradas muito boas (apesar de caras) e aeroportos. Sou a favor, repito, do transporte ferroviário, mas este trecho não é urgente: já fizeram a burrada de nos encher de estrada, agora não é hora de mudar absolutamente tudo.

— 1e – Trem bala é projeto mirabolante de uma elite que foi proposto inicialmente por .. Levi Fidelix!

— 1f – Esta palhaçada toda representada por estes bilhões será feita por ocasião de um evento de um mês.

— 1g – Nem imagino o impacto ambiental deste projeto. Aliás, nem eu nem o governo.

Acho que vou parar por aqui, já ficou grande demais a parte do trem bala. O comentário em relação à Copa de 2014 terá seguimento. Na próxima é sobre os estádios, mas é pra próxima.

ps: vi só agora este artigo sobre o trem bala. Faz sentido o que diz.

sobre os donos dos prédios e os porteiros

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a coisa sempre sobra para os porteiros. É esta, como são muitas, uma relação de poder.

De qualquer forma, acho que é uma situação inusitada para a Globo ter uma relação conflituosa com a CBF.

Que o técnico da seleção da CBF é um sujeito no mínimo desequilibrado, não há dúvidas. Coloco este vídeo aqui mais para se notar a cara de louco do Dunga, a cara de psicopata atrás do hemocentro. É de assustar.

Espera-se agora uma resposta do Alex Escobar, que poderia ter vindo na mesma entrevista coletiva.

O problema não é xingar, não… na verdade os xingamentos deveriam ser mais difundidos na nossa sociedade: por quê existem estas palavras-que-não-podem-ser-faladas? Seria um tipo de abracadabra, que nós falaríamos e alguma coisa (ruim) aconteceria?

sobre a “rivalidade” com a Argentina e as cervejas

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Bem, acho que as agências de propaganda do Brasil são boas, pois são beeem criativas.

Mas não é o que se vê nas campanhas de cerveja.

Os chavões são muitos, imbecis e simplórios. Mulher gostosa, galera feliz e jovem. Esquecem-se de pessoas como eu, que abro uma na frente da tv ou do violão para confortar minha insônia. Gordo, insone, depressivo, careca e barbudo – um hor-ror-or.

Lembro-me que uma das invenções da escola funcionalista de comunicação é o conceito de “público alvo”. Eu, com certeza, não faço parte deste.

O que mais me irrita nesta copa é a insistente associação DIRETA entre cerveja, pátria e futebol.

Não quero ser chato, mas não tem absolutamente nada a ver, não existe QUALQUER relação: não há pátria de chuteiras, há jogos e competições, não há boleiro cachaceiro, há atletas, e, sobretudo, muito menos não há nação cachaceira, pois os bebedores são uma ínfima minoria.

Como é uma guerra com guerreiros (acho que esta é a campanha da Brahma) há os adversários inimigos: os argentinos.

A oposição apresentada não se limita ao futebol, locus em que há realmente uma rivalidade histórica, mas ultrapassa qualquer limite – parece que há realmente uma grande diferença entre argentinos e brasileiros, que seriam povos que se odiariam.

Também não é verdade. Somos povo vizinhos e irmãos, e quem já foi à Argentina sabe que as brincadeiras restringem-se ao futebol, a menos que haja outros imbecis ao redor – e sempre há.

Quer ver dois povos rivais? Pergunte aos chilenos sobre os bolivianos e vice-versa: aí o negócio pega.

Entre Brasil e Argentina há diferenças culturais óbvias, mas isto está longe de representar uma relação de inimizade. Longe disso. Quem já passou verões no litoral de Santa Catarina sabe que a confraternização entre brasileiros e argentinos é muito maior que qualquer picuinha ou pequeno preconceito.

Para mim trata-se apenas da invenção de inimigos em um país sem nenhum caráter.

sobre a torcida do palmeiras

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Vi o Roberto Baggio falar que no dia em que viu a torcida do Boca cantando feito louca com o time a perder no estádio, virou torcedor do time. E que na Itália um comportamento como este seria impensável.

Pois é. O Palmeiras deixou de ser um time de colônia há muito tempo, mas conserva este traço: somos uma torcida à la Itália.

Já vi o time metendo 3 no Fluzinho e sujeito xingando os jogadores o tempo todo. A torcida não fica muda nunca, esteja como estiver o time.

Baggio esqueceu de falar que este traço possui uma particuliaridade e um bônus: quando o time mostra coragem dentro de campo, quando o time agarra a camisa e parte pra cima, meu amigo… meu amigo… vê uma onda de vibração como nunca se viu.

E não precisa vencer, bem que se diga. Precisa jogar bem, pois a torcida palmeirense não é um bando de acéfalos gritando sem parar sem sequer ver o jogo. Veja, por exemplo, o comportamento dos torcedores no jogo em que se perdeu a libertadores de 2000 em pleno Palestra – e contra o Boca. Roubado.

Há imbecis: o Palmeiras chegou com chances de ser campeão na última rodada do Brasileirão passado, mas a torcida fez protesto a semana toda anterior, por exemplo. O Diego Souza, um belíssimo jogador, sofre com as cornetagens recentemente.

Mas é esta torcida ranzinza e apaixona que quero ver de novo semana que vem, pois o velho Palestra será reformado para dar lugar a uma “Arena”, seja lá pra que isto sirva.