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Arquivo do autor:omicrobio

o fim

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definir – de-finir.

 

Por um fim (pense nesta construção como “por uma cabeça” ou “por pouco”).

 

este foi meu segundo blog. coisa de depressivos e solitários.

 

micróbios alojaram-se no meu ouvido médio, na minha garganta, em meus tímpanos e em meus óculos.

Hora de orar pelo fim.

sobre Tinariwen

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E sobre a mundialização

as cidades e os textos

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como não começar um texto acadêmico? Assim, ó, do jeito que eu faço:

“Se é possível construir-se cidades de forma desordenada ou ordenada,

 como disse Wittgenstein a respeito da linguagem como uma cidade

antiga, também é possível construir textos das mais diferentes formas; textos como São Paulo: caóticos,

 escuros, confusos, trabalhosos, noturnos, demorados,

chatos.

É possível a construção de textos como Ribeirão Preto: elitistas,

 murados,

asfaltados, alcoólicos,

 chatos.

É possível

 a construção de textos como

Brasília

:

diurnos, imóveis,

 iguais, frios e, ainda

 assim, aleatórios.”

Sobre a Pessoa do imperador

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Art. 99. A Pessoa do Imperador é inviolavel, e Sagrada: Elle não está sujeito a responsabilidade alguma.

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 Assim dizia (opa, perdão, dispunha) a Constituição do Brasil de 1824.
Era ali claro: o poder moderador era “do cara”, e era sagrado.
A constituição de 1824 é muito interessante. E das coisas mais interessantes é vermos que ainda estamos na mesma merda, para usar uma palavra academicamente gaulesa.
Temos este ranço autoritarista de vermos no Executivo o grande chefe, e isto não se resume aos prefeitos, governadores e presidente. O chefe, o gerente, o coordenador, etc., são vistos por muitos como invioláveis e “os caras” da respectiva instituição.
Muitos chefes, bem que se diga, também gostam muito de ser “os caras”, a cabeça do livro de Hobbes.
E só para falar mais da constituição do império, diga-se que não há nem uma linha sequer sobre a escravidão.
É o silêncio perturbador, é o grito silencioso, é o espectro que ainda ronda o Brasil – para 1988, ninguém passa fome.
É constituição bonita, bem articulada. Parece francesa. Mas tem o poder moderador estampado, e não há nem sinal do tráfico e da brutal exploração dos africanos.
Veja: em tempos de perseguição brutal, era assegurada a liberdade de culto:
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        Art. 5. A Religião Catholica Apostolica Romana continuará a ser a Religião do Imperio. Todas as outras Religiões serão permitidas com seu culto domestico, ou particular em casas para isso destinadas, sem fórma alguma exterior do Templo.

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 Data de nossa primeira constituição a cara de pau e a peroba constitucional brasileiras. Não apenas dos políticos, diga-se.

agrishow

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Nesta época costuma Ribeirão ficar mais nojenta .

yoshitaka amano

O tempo andou mexendo comigo, sim. Não esqueço que a felicidade é uma alma que se come fria, e se faz todo dia, face a face com um espelho.

Não sei ainda por quanto tempo conseguirei conviver nesta cidade. A culpa, na real, acho que não é das cidades que morei. 6 no total.

Acho que a estabilidade é algo que sempre me incomodou muito, mas agora não depende a coisa apenas de mim. Como o tempo não haveria de mexer?

Mas esse negócio de feira de agronegócio… com a cidade explodindo, caindo aos pedaços e à míngua … haja reticências …

a morte existe, ela

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terra deu, tera come algumas das mais instigantes loucuras da humanidade: mito, religião e a morte.

Se se come a comida preta por causa da morte, como me disse o cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante, se a religião existe por causa da morte, se somos para a morte, não sei.

Sei que falar sobre a morte fez do homem o poeta.

sobre fausto

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O que me atraiu em Fausto, penso hoje, o que me fez ler até o final o livro que mudou completamente minha maneira de o mundo ser escrito, foi seu começo.

A aposta com o diabo, o Pferdefuß, é das coisas mais bem escritas que já li. É realmente maravilhoso: aposta com o diabo que jamais estará satisfeito.

Diabo

E você já sabe quem “vence” no final, não é?

É uma angústia. Não sei se é a angústia de todos, se faz parte da angústia moderna. De minha parte, não estou nunca satisfeito. Estou sempre, portanto, angustiado.

Apostaria para ver que nunca estarei satisfeito. Não existe diabo, e não existe pacto nenhum.

Tenho, no entanto, já 29 e não fiz dez por cento do que gostaria. O jeito é me entregar a Liszt e engolir minha médio-cridade. Mas não consigo, apesar de minha psicóloga antiga ter dito para me resignar.

O duelo de Fausto é esse: uma batalha discursiva sobre a resignação. Nem Helena deu jeito.

(Ontem Cortázar me disse que enviaria uma garrafa ao mar.

é mais ou menos por aí. As mensagens desta vida vêm de modo bastante lento, no marulho. E quando chegam, dificilmente se vê que chegaram em função da garrafa de vidro.)