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bob dylan – brasília – show

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Minha previsão era das mais pessimistas. Era uma terça.

 

Tive duas aulas durante a terça: uma de um cara que elabora cuidadosamente a aula, apresenta no powerpoint, promove um debate. Tudo a seu devido tempo. Luhmann, Teubner, Slaughter. 

A do outro, um professor que confia no seu subconsciente. Confia que vai achar mais cedo ou mais tarde uma resposta para suas preocupações. Negri, Agamben, Foucault, Nietzsche. 

Não quer dizer que um é melhor que o outro, contudo. Na primeira aula os alunos ficam menos perdidos, mas quem falou que o importante é não estar perdido?

 

Bom, mas o pessimismo não tem nada a ver com as aulas. Tem a ver com depois das aulas. 

Fico na UNB sozinho, geralmente estudando. 

Como num lugarzinho onde o lanche custa R$ 14. Em Ribeirão ou mesmo em São Paulo, custaria a metade, no mínimo.  

É a solidão brasiliense, digamos assim.

Acordar com o celular, comer um pão de queijo meia boca, estudar, comer no bandeijão, estudar, comer um lanche caro e ruim, estudar, dormir num quarto apertado, acordar, ir pro avião.

 

**

Mas ontem, 17 de abril de 2012, havia o show do Bob Dylan. Ouvi um pessoal falando que iria para frente do ginásio ver o movimento.

Quer saber? Fui também, sozinho obviamente. Peguei dois ônibus, destes ônibus-porcaria de Brasília, e fui para frente do estádio. A previsão do velho entrar era de 21.30h. Cheguei umas oito horas.

 

Para minha surpresa, não havia tanta gente. Não havia grandes filas, nem muita gente comendo lanches no entorno. Parecia que haveria um show menor, ou mesmo um jogo de vôlei.

Cambistas, claro, havia, e muitos. 

Minha intenção não era a de entrar. Era só a de não ficar sozinho no apartamento, e talvez ouvir algumas músicas.

 

Fiquei ali, no ginásio Nilson Nelson, olhando pro estádio Mané Garrincha, todo iluminado por causa da reforma absurda para a absurda copa do mundo no brasil de 2014.

 

Comi um frango na chapa. Bacon, franco, milho, chapa suja, pão esfarelento.

 

Vi a bilheteria aberta. Bilheteria aberta? No dia do show do Bob Dylan? Como assim?

 

Mandei as imobiliárias pro inferno. Se passasse cartão, iria. E, mais importante, se meu cartão passasse, entraria.

 

E não é que o cartão passou?

 

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Uma resposta »

  1. Nossa, pra quem estava só buscando alguma alternativa para não ficar sozinho em casa, valeu a pena pegar dois ônibus, ter a sorte de o cartão passar e poder curtir um show sem muvuca, sem fila.

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